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sáb, 18 jul 2026
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Brasil registra avanço na detecção de fraudes financeiras com novas regras do BC

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O Brasil registrou mais de 9 milhões de indícios de fraudes financeiras no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 10,26% em comparação aos 8,26 milhões de ocorrências do segundo semestre de 2025. Esse aumento, revelado por um levantamento da Quod, reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção de golpes, impulsionado pela implementação da Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre as instituições financeiras.

Portanto, a elevação dos números não aponta necessariamente para um crescimento desproporcional da atividade criminosa, mas sim para uma maior capacidade do sistema financeiro em identificar e registrar tentativas e consumações de fraude. Segundo Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, este cenário demonstra o amadurecimento das defesas do mercado, trazendo à tona golpes que antes permaneciam subnotificados.

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Resolução do Banco Central impulsiona detecção

A Resolução 501 do Banco Central, implementada para combater a crescente onda de golpes digitais, tornou mais robusta a troca de informações entre bancos e outras instituições. Anteriormente, muitas tentativas de fraude não eram devidamente registradas, o que dificultava a criação de um panorama completo da atuação dos criminosos. Com as novas diretrizes, contudo, o mercado financeiro passou a operar de forma mais integrada na prevenção.

Além disso, essa regulamentação incentivou a colaboração entre as entidades, permitindo que dados de segurança fossem centralizados para identificar padrões de atuação dos fraudadores. Isso significa que, ao invés de atuar isoladamente, as instituições compartilham uma base de inteligência comum, o que aprimora significativamente a capacidade de bloqueio preventivo de operações suspeitas em todo o território nacional.

Rufra: o sistema colaborativo contra golpes

O estudo da Quod utilizou dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela própria datatech. O Rufra coleta informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e diversas empresas, funcionando como um pilar central na estratégia de segurança do mercado. Sua função principal é consolidar esses registros para uma análise mais profunda e coordenada.

Enquanto isso, o sistema acompanha o histórico de vítimas e fraudadores, permitindo uma visão abrangente do modus operandi dos golpistas. Assim, o Rufra não apenas apoia as estratégias de prevenção, mas também garante que as instituições atendam plenamente às exigências da Resolução 501 do Banco Central, fortalecendo a segurança para milhões de consumidores brasileiros.

Canais digitais e engenharia social dominam fraudes

A predominância do ambiente digital nas fraudes financeiras permanece evidente. O celular foi o canal utilizado em 78% dos casos registrados no primeiro semestre de 2026, configurando-se como o principal meio explorado pelos criminosos para aplicar golpes. As contas correntes, por sua vez, apareceram em 94% dos indícios de fraude, demonstrando a centralidade desses tipos de conta nas movimentações fraudulentas.

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos, continuou sendo o meio de movimentação de recursos mais utilizado em fraudes, presente em 85% das ocorrências. Por outro lado, a engenharia social se destacou como a principal estratégia dos criminosos, sendo responsável por 40% dos registros. Essa modalidade, que manipula psicologicamente as vítimas para obter informações ou induzi-las a transferências, gerou mais de 3,6 milhões de casos no período.

Jovens e reincidentes: perfil das vítimas

Os dados revelam um perfil específico para as vítimas de fraudes financeiras. Pessoas com idade entre 18 e 34 anos representam quase metade do total, somando 49,06% das vítimas no primeiro semestre de 2026. A faixa etária seguinte, de 35 a 49 anos, correspondeu a 29,98% dos casos. Embora os homens figurem com 51% dos registros, as mulheres não estão muito atrás, representando 48% das vítimas.

Adicionalmente, o levantamento identificou um alto índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no período, cerca de 799 mil – aproximadamente um quarto do total – foram vítimas duas ou mais vezes, o que sublinha a necessidade de campanhas de conscientização mais eficazes e focadas. A maioria das vítimas, 58%, possui renda de até dois salários mínimos.

Especialista orienta sobre prevenção

Diante do cenário, a Quod enfatiza a importância de que os consumidores reforcem os cuidados em suas operações financeiras, sobretudo aquelas realizadas por celular. Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, oferece algumas orientações cruciais para evitar ser uma nova vítima de fraudes.

Ele aconselha, por exemplo, a evitar decisões financeiras apressadas durante o horário de trabalho, momento em que fraudadores frequentemente exploram a distração das vítimas. Além disso, recomenda não clicar em links suspeitos recebidos por mensagens e jamais emprestar contas bancárias para terceiros, pois essa prática pode configurar cumplicidade em esquemas de contas laranja, expondo o indivíduo a riscos legais e financeiros.

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