Diante da pandemia do coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a constante limpeza e desinfecção das mãos e objetos. As medidas são para reduzir a disseminação da Covid-19.
Mas, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em dados dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), houve aumento no número de casos de intoxicação por produtos de limpeza entre os brasileiros em 2020.
Alguns exemplos desses produtos são água sanitária, soda cáustica, desinfetantes e inseticidas. Entre janeiro e abril, os CIATox receberam 1.540 registros de casos de intoxicação envolvendo adultos relacionados a produtos de limpeza.
O número é 23,3% maior do que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.249. Os casos entre o público infantil também cresceram. Até abril deste ano, foram 1.940 casos de intoxicação, frente a 1.830 em 2019 – aumento de 6,01%.
“Se os produtos saneantes forem utilizados exatamente como indica no rótulo, o risco está gerenciado. A Anvisa gerencia para mitigar os mais comuns de acontecer. Quando aprovamos o produto levamos em consideração o risco de cada substância que a empresa informou que compõe o produto”, explica o coordenador de Saneantes da Anvisa, Webert Santana.
Recomendações
A Anvisa faz algumas recomendações para que o risco de intoxicação por produtos de limpeza seja diminuído. A agência reguladora ressalta que é importante manter os produtos fora do alcance de crianças pequenas, entre 1 e 5 anos de idade.
Quanto ao armazenamento, a recomendação é evitar guardá-los em recipientes diferentes e não etiquetados. Na hora de manuseá-los, garantir que o ambiente tenha ventilação e evitar a mistura de produtos químicos.
“Se o rótulo diz que é para diluir, e a pessoa não diluir, esse é um forte motivo para intoxicação porque está sendo utilizada uma concentração mais alta. Tem que seguir sempre as recomendações do rótulo do produto. É única maneira de diminuir a exposição”, diz Irene Satiko, professora do departamento de Farmácia da Universidade de São Paulo.
As embalagens de saneantes não podem de maneira nenhuma ser utilizada para outros fins. Para armazenar o mesmo produto, é bem normal. A ideia central é somente fazer o reaproveitamento daquelas embalagens que existam refil e tenham essa recomendação.
A população e os profissionais de saúde contam com telefone para tirar dúvidas e fazer denúncias relacionadas a intoxicações. O Disque-Intoxicação, criado pela Anvisa, atende pelo número 0800-722-6001, a ligação é gratuita.


