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dom, 19 jul 2026
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Butantan testa vacina contra gripe aviária para evitar pandemia

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O Instituto Butantan iniciará os testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a gripe aviária (H5N8). A autorização da Anvisa foi concedida na última terça-feira (1º). A medida representa uma estratégia preventiva diante do risco crescente de uma nova pandemia. O vírus já demonstrou capacidade de transmissão esporádica para humanos desde 1996.

Segundo o instituto, a vacina será testada em duas doses com intervalo de 21 dias. Inicialmente, será aplicada em adultos de 18 a 59 anos. Posteriormente, será testada em pessoas acima de 60 anos. A pesquisa aguarda aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Os ensaios clínicos contarão com 700 voluntários em cinco centros de pesquisa. As unidades estão distribuídas entre Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo. A conclusão está prevista para 2026.

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Gripe aviária representa ameaça pandêmica global

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, explica que existe uma quantidade significativa de vírus aviários de influenza. Uma pequena porcentagem pode ganhar agressividade e causar doenças graves. Embora afetem primeiramente as aves, esses vírus podem atingir mamíferos que entram em contato com elas. Eventualmente, podem adaptar-se para causar infecções em humanos.

“Nos últimos anos, o vírus vem se adaptando cada vez mais”, afirma Kallás. Assim, consegue causar levas de mortes em mamíferos, primeiro em aquáticos, mas agora também em mamíferos terrestres. De acordo com o diretor, essa possibilidade alerta toda a comunidade científica mundial. O risco de uma pandemia causada pela gripe aviária preocupa especialistas globalmente.

A avaliação não se restringe apenas aos especialistas brasileiros. Trata-se de uma preocupação presente globalmente, segundo Kallás. Por isso, ele destaca a importância de se antecipar ao problema. O Butantan trabalha desde o início de 2023 no desenvolvimento da vacina candidata. O objetivo é prevenir infecções ou o desenvolvimento de doenças graves provenientes do vírus H5.

Transmissão entre humanos ainda não ocorre

A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, destaca que o grande risco para a gripe aviária é ter uma transmissão inter-humana. Ou seja, de pessoa para pessoa. “Se isso acontecer, há chance de ocorrer uma epidemia”, explica a pesquisadora.

Isso não aconteceu até agora porque esse vírus da influenza não tem capacidade de se adaptar no sistema respiratório humano. No entanto, os vírus influenza são altamente mutagênicos. Se sofrerem uma mutação específica que permita a adaptação no sistema respiratório humano, haverá risco de transmissão entre pessoas. Consequentemente, surgirá a possibilidade de epidemia.

Instituto Butantan
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A vacina em desenvolvimento utiliza vírus inativado, também chamado de vírus morto. Portanto, é incapaz de causar infecções. Com a aprovação ética do estudo, os cinco centros de pesquisa irão recrutar participantes. O objetivo é avaliar se a vacina é segura e gera imunidade neste primeiro teste em humanos.

Letalidade da gripe aviária supera a covid-19

Segundo a Anvisa, especialistas mundiais alertam para o risco de disseminação de novas variantes do vírus da gripe aviária. As cepas H5N1, H5N8 e H7N9 chamam atenção por seu alto potencial de letalidade e capacidade de mutação. Desde 2021, esses vírus causaram a morte de 300 milhões de aves. Além disso, impactaram 315 espécies silvestres em 79 países, de acordo com dados globais.

Em humanos, embora ainda sejam raros, os casos chamam atenção pela gravidade. Entre 2003 e 2024, houve 954 infectados em 24 países, com 464 mortes. Isso representa uma taxa de letalidade de 48,6%. O percentual é significativamente mais alto que o registrado durante a pandemia de covid-19, de menos de 1%.

O Ministério da Saúde informa que, até o momento, não foi confirmado nenhum caso humano de influenza aviária no Brasil. Segundo a pasta, o risco de infecção humana é baixo. A contaminação não ocorre pelo consumo de carne ou ovos devidamente cozidos. Na verdade, acontece por contato direto com aves doentes ou ambientes contaminados.

Brasil se prepara com plano de contingência

Para garantir uma resposta rápida a possíveis surtos, o Ministério da Saúde lançou em dezembro de 2024 o Plano de Contingência Nacional do Setor Saúde para Influenza Aviária. O documento orienta a atuação da pasta. Inclui vigilância integrada, diagnóstico laboratorial, assistência e comunicação em saúde.

Além do plano, a pasta publicou também o Guia de Vigilância da Influenza Aviária em Humanos. O documento contém definições de caso e demais detalhes operacionais de toda a rotina de vigilância. Abrange desde o monitoramento de pessoas expostas até o manejo clínico de casos suspeitos.

Neste ano, foi notificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a infecção em aves comerciais de uma granja no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. No dia 18 de junho, o Brasil voltou a ser um país livre da influenza aviária. Isso aconteceu após cumprir os protocolos internacionais que preveem 28 dias sem novos registros em granjas comerciais.

Conforme o Ministério da Saúde, as aves infectadas podem disseminar vírus através da saliva, secreções de mucosas e fezes. A infecção se dá tanto pelo contato direto quanto pelo contato com superfícies contaminadas por ave infectada. O contato direto inclui respirar o vírus contido em gotículas ou partículas transportadas pelo ar.

*Com informações da Agência Brasil

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