A Caixa Econômica Federal, por meio de seu presidente Carlos Vieira, anunciou na última sexta-feira (15), em São Paulo, a renegociação de R$ 820 milhões em dívidas no âmbito do programa Desenrola Brasil. Essa iniciativa, lançada pelo governo federal em 4 de maio, visa a auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a regularizarem sua situação financeira, recuperarem o acesso ao crédito e limparem seus nomes junto aos órgãos de proteção ao crédito.
Progresso do Desenrola Brasil na Caixa
A cifra revelada pela Caixa destaca o engajamento do banco no esforço nacional para combater o endividamento. O programa Desenrola Brasil, que já havia sido pauta de informes do ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicando a proximidade de R$ 1 bilhão em débitos renegociados em nível nacional, demonstra um alcance significativo. Desse modo, a meta é proporcionar condições favoráveis para milhões de brasileiros em um curto período.
Uso do FGTS e Próximos Passos
Contudo, Carlos Vieira observou que ainda existe um “gap” na utilização do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento de débitos no programa, especificamente nas negociações com a Caixa. Entretanto, a diretoria do banco informou que o uso do FGTS para essa finalidade deve ser iniciado em breve, a partir do dia 25 de maio. A nova fase do Desenrola Brasil prevê duração de 90 dias, oferecendo descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de uso do FGTS como ferramenta de pagamento, fortalecendo a capacidade de reestruturação financeira dos devedores.
Desafios Tecnológicos e Financeiros da Caixa
A apresentação do balanço trimestral da instituição pelo presidente Carlos Vieira trouxe à tona outros pontos relevantes além do desempenho no Desenrola. O banco enfrentou desafios no ano passado relacionados a fraudes e ataques cibernéticos, especialmente no aplicativo Caixa Tem, resultando em um prejuízo estimado em R$ 20 milhões. Desse modo, a segurança digital se tornou uma prioridade para a gestão.
Investimento em Segurança Cibernética
Para combater as vulnerabilidades, a Caixa tem reforçado significativamente seus investimentos em tecnologia. A expectativa é que, somente neste ano, esses investimentos alcancem a marca de R$ 5,9 bilhões. Como resultado dessas ações, Vieira afirmou que o banco registrou “praticamente zero de ataques” no Caixa Tem, evidenciando a eficácia das medidas implementadas e o retorno sobre o capital investido.
Lucro e Inadimplência no Primeiro Trimestre
No campo financeiro, a Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre do ano. Todavia, esse resultado representa uma queda de 34,4% em comparação com o mesmo período do ano passado, impactado principalmente pelo aumento substancial das provisões para perdas com crédito. Isso se deve, em grande parte, às novas regras regulatórias do Banco Central (BC) para a cobertura de risco de inadimplência, que exigiram uma adequação das reservas do banco.
Apesar da redução no lucro, a Caixa demonstrou crescimento em sua carteira de crédito, que totalizou R$ 1,4 trilhão, impulsionada principalmente pelo financiamento imobiliário. Neste segmento, o banco mantém sua liderança no país, consolidando sua atuação. A inadimplência encerrou o trimestre em 3,71%, um patamar que a diretoria considera tranquilo para carteiras como a imobiliária e comercial (pessoa física e jurídica).
Apesar disso, o setor do agronegócio ainda é motivo de cautela e preocupação. Henriete Sartori, vice-presidente de Riscos da Caixa, comentou que há uma expectativa de impactos nas provisões relacionados ao agro ainda este ano, embora já se perceba um “arrefecimento da curva de crescimento” da inadimplência geral. Atualmente, o agronegócio representa 5% da carteira total da Caixa, indicando que, embora não seja o maior segmento, sua sensibilidade justifica a atenção da gestão de riscos.


