A Comunidade Padre Bento conquistou suspensão da reintegração de posse na quarta-feira (26/11). O anúncio foi feito pelo vereador Geraldo Celestino, líder do governo na Câmara Municipal de Guarulhos, após protesto de dezenas de moradores no plenário. Além disso, a prefeitura se comprometeu com regularização fundiária da área. Portanto, famílias aguardam documentos oficiais até 1º de dezembro.
A sessão aconteceu dois dias após cancelamento de audiência pública sobre o caso. Segundo moradores, os vereadores Lamé (PCdoB) e Daniel Alves (DC) cancelaram o encontro agendado para 25 de novembro sem justificativa clara. Por consequência, a comunidade decidiu ir à Câmara mesmo assim para cobrar explicações.
Pedro Henrique, do movimento Luta Popular Nacional, explica a estratégia:
“A gente foi com o principal propósito de cobrar a justificativa, de entender o porquê que a gente teve a nossa audiência pública adiada sem nenhuma justificativa clara”.
Dessa forma, moradores pressionaram vereadores por posicionamento oficial.
Audiência sobre reintegração cancelada, Comunidade Padre Bento vai mesmo assim
Fabiana Aparecida, uma das líderes da Comunidade Padre Bento, relata a frustração com o cancelamento da audiência sobre a reintegração de posse. “Faltando praticamente quatro horas para a gente comparecer na Câmara, eles cancelaram. O vereador Daniel e vereador Lamé”, conta. Segundo ela, toda documentação já havia sido protocolada conforme solicitado.
A comunidade não aceitou o cancelamento de última hora. Portanto, mobilizou moradores para comparecer à Câmara no dia 26. De fato, a presença gerou impacto imediato no plenário.
Pedro detalha como moradores ocuparam espaço no debate.
“A gente fez um barulho legal na Câmara. Fez com que a gente pautasse o debate. Ninguém que subisse na tribuna conseguia falar se não fosse dentro do que a gente queria, na medida do possível”.
Explica.
Tensão no plenário e apoio de vereadores
A manifestação não ocorreu sem resistência. Segundo relatos de moradores, o presidente da Câmara, Fausto Martello (Republicanos), demonstrou desconforto com a presença da comunidade no plenário. A vereadora Fernanda Curti (PT) se posicionou ao lado dos manifestantes. Além disso, outras lideranças parlamentares também demonstraram apoio.
Pedro reconhece importância do apoio recebido. “O Celestino foi até nós, junto com a vereadora Fernanda Curti, para dizer que o governo entrou em contato com a CDHU”, relata. Dessa forma, pressão popular combinada com articulação política gerou resultado.
Celestino anuncia suspensão oficial da reintegração de posse da Comunidade Padre Bento
Diante da pressão, o vereador Geraldo Celestino (PSC) subiu à tribuna e fez anúncio histórico. Segundo ele, o prefeito Lucas Sanches conversou imediatamente com secretário de Habitação sobre o caso. Além disso, foi recebida comissão de moradores que apresentou demandas.
“Imediatamente, foi encaminhada uma petição, um ofício ao presidente da CDHU, o senhor Reinaldo Iapequino. O prefeito conversou com o governo do Estado”, afirmou Celestino. Dessa forma, articulação envolveu diferentes esferas de governo.
O vereador fez anúncio que moradores esperavam:
“A CDHU já suspendeu a reintegração de posse. Na próxima semana, nós vamos ter essa petição em mãos, solicitando a suspensão da reintegração de posse”.
A fala de Celestino foi registrada em ata e vídeo divulgado nas redes sociais. Portanto, comunidade possui documento oficial que pode ser cobrado. Assista ao anúncio completo:
No pronunciamento, o vereador detalha compromissos assumidos pelo governo municipal.
Governo promete regularização fundiária
Celestino continuou com anúncio sobre próximos passos. “A Secretaria Municipal de Habitação, através do vereador licenciado, pastor Anistaldo, que é o secretário da Habitação, já está providenciando para iniciar ali, junto a vocês, a regularização fundiária onde vocês estão”, afirmou.
O vereador encerrou com afirmação política sobre postura do governo:
“Governo nenhum quer tirar a família da sua moradia. A moradia é primordial para qualquer ser humano. E somos todos trabalhadores e trabalhadoras. E essa era a preocupação do governo Lucas”.
Declarou.
Além disso, reconheceu participação de outros vereadores na negociação. “Isso foi esforço da Fernanda Curti. O vereador Lamé, que está lá no movimento”, complementou. Dessa forma, vitória aparece como resultado de articulação coletiva.
Luta Popular analisa ganhos e cobra documentação
Após sessão, Pedro do Luta Popular analisou conquistas e próximos passos. Segundo ele, o governo se comprometeu a entregar demandas apresentadas pela comunidade. Portanto, moradores saíram com ganho político importante.
“A gente cobrou não só a palavra, mas um documento que comprove isso”, ressalta Pedro. De acordo com o ativista, Celestino se comprometeu a entregar documentação até semana seguinte. Além disso, prometeu subir à tribuna para registro oficial em ata e vídeo.

Pedro explica que Celestino cumpriu compromisso de falar publicamente. “Ele foi lá e falou exatamente essas coisas que eu citei. Que a prefeitura tem interesse em regularizar a área, é contra a reintegração de posse”, confirma. Dessa forma, comunidade possui registro oficial das promessas.
Porém, o ativista deixa claro que luta não terminou. “Por enquanto são promessas. A gente quer ver essa reintegração de posse suspensa. Até quando essa reintegração não for suspensa, a gente não baixa a bola”, alerta.
Pressão continua até cumprimento efetivo
Pedro estabelece prazo claro para cumprimento dos compromissos. “O prazo dele é até semana que vem. Se essa reintegração de posse não for suspensa, a gente volta lá e coloca os caras na parede”, avisa. Dessa forma, comunidade demonstra que permanecerá vigilante.
O ativista analisa impacto da mobilização sobre vereadores. “Foi isso que eles sentiram de nós, tanto a base do governo quanto até mesmo o próprio vereador Lamé, que ficou super ofendido, super constrangido pela nossa publicação”, afirma. Segundo Pedro, exposição pública do cancelamento sem justificativa gerou constrangimento.
Além disso, Pedro destaca importância de reconhecer origem da vitória. “A gente teve mais um ganho político, mas é muito importante entender que esse ganho político é fruto da nossa luta”, enfatiza. Segundo ele, sem pressão popular resultado não teria sido alcançado.
“Se a gente não tivesse ido lá cobrar deles, pautar o debate público ali, sem deixar com que eles consigam falar sem que nos escutem, a gente não teria conseguido isso”, complementa Pedro. Portanto, mobilização comunitária foi decisiva para mudança de postura.
Lamé se justifica sobre cancelamento
O vereador Lamé (PCdoB) também subiu à tribuna para se justificar. Segundo Pedro, o parlamentar ficou constrangido com exposição pública do cancelamento da audiência. Dessa forma, sentiu necessidade de dar explicações em plenário.
Lamé se comprometeu a marcar nova data para audiência pública. Além disso, reconheceu implicitamente erro ao cancelar sem explicação prévia. Portanto, pressão comunitária gerou mudança de postura do vereador.
Assista ao momento completo:
Pedro resume posicionamento sobre forma adequada de cancelar eventos públicos. “Uma coisa é você suspender e dialogar com a população. Outra coisa é você suspender sem dar nenhuma justificativa clara”, analisa. Dessa forma, comunidade cobra não apenas resultados, mas também processos democráticos.
Próximas reuniões já articuladas
Pedro anuncia que outras reuniões já foram agendadas. Segundo ele, encontro com gabinete do governo está previsto para semana seguinte. Além disso, objetivo é entregar requerimento formal de regularização fundiária.
A articulação conta com intermediação de assessores da vereadora Fernanda Curti. Dessa forma, canal de diálogo entre comunidade e governo foi estabelecido. Além disso, acompanhamento parlamentar aumenta pressão por cumprimento.
Por falar na vereadora Fernana Curti, segue a fala dela na tribuna:
“Provavelmente semana que vem, a gente também tem uma data”, confirma Pedro. Portanto, mobilização comunitária criou agenda concreta de negociações.
Comunidade expressa esperança cautelosa
Karina Marques, uma das líderes comunitária, expressa otimismo moderado sobre avanços. “Eu acho que estamos avançando”, afirma. Dessa forma, reconhece progresso sem deixar de lado necessidade de vigilância.
O sentimento é de progresso, mas também de cautela. A comunidade sabe que promessas políticas precisam ser cobradas constantemente. Portanto, próximos dias serão decisivos para confirmar se suspensão é permanente ou apenas adiamento tático.
O que vem pela frente
O prazo estabelecido por Celestino termina em 1º de dezembro. Até lá, comunidade espera receber documentos oficiais que comprovem suspensão da reintegração. Além disso, aguarda início dos processos de regularização fundiária.
Se compromissos não forem cumpridos, mobilização retorna à Câmara. Pedro deixou claro que pressão continuará até garantias efetivas. Dessa forma, vitória política de 26 de novembro representa apenas primeira etapa de luta mais longa.
A Comunidade Padre Bento demonstrou força política e capacidade de mobilização. Além disso, conquistou aliados importantes no Legislativo municipal. Portanto, caso se torna exemplo de como organização popular pode influenciar decisões sobre moradia.
Fabiana resume expectativa para próximos dias. Segundo ela, comunidade permanece unida e vigilante. Além disso, confia que pressão exercida gerará resultados concretos. “Hoje foi bem produtivo, graças a Deus. Vamos esperar até a semana que vem para ver se de fato eles vão assumir o compromisso que eles arcaram hoje”, finaliza.
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