– Qual a profissão da sua mãe?
– Minha mãe fica em casa.
– Então sua mãe não faz nada? Ela não trabalha.
Esse é um diálogo comum de se encontrar entre as crianças nas escolas. E a resposta para essa pergunta é relativamente fácil, porém não discutida com importância necessária.
Como lidam com a vida corporativa de mulheres que estão vivenciando a maternidade? Em sua grande maioria, não lidam. Não enxergam, desvalorizam e criticam.
Sabemos que existem alguns cenários dentro desse tema, como por exemplo, mulheres que não trabalham com registro fora de casa, mulheres que trabalham com registro dentro de casa, mulheres que são empreendedoras, mulheres que trabalham dentro de casa sem registro realizando tarefas dos cuidados com a casa, demanda dos filhos e parceiro(a), mulheres que planejaram a gestação e desenham muito bem o que farão sobre suas carreiras profissionais e outras que não planejaram e foram pegas de surpresa com a demanda atual.
Qualquer que seja o perfil corporativo dessa mulher, por vezes é julgada dentro de seu cenário social, como uma mãe ausente por se dedicar ao seu trabalho ou uma mulher que não tem coragem de fazer algo além da maternidade.
Além de não ser vista, a demanda da maternidade ainda é romantizada por muitos. O que dificulta essas mulheres encontrarem apoio para que possam ser ouvidas e sentirem que a dor delas é legítima.
Imaginem a responsabilidade de contribuir diariamente como uma das figuras príncipais (em sua grande maioria a única) ao desenvolvimento e construção de um outro indivíduo? Imaginem lidar com a pressão das respostas que esse sujeito dará ao mundo? Sabendo que você será nomeada de maneira comum pelos erros cometidos e não pelo que julgarem correto, pois o “correto” não é nada além do que o seu papel ensinar.
Qual o lugar dessas mulheres para a sociedade? Eu diria onde elas quiserem, mas não podemos fechar os olhos para todas as barreiras a se enfrentar.
Voltando ao diálogo lá do início, o que quero chamar atenção de vocês, é para o depois. Essa criança termina o papo com seu amigo entendendo que sua mãe que trabalha com a ocupação social de “dona de casa” no fim das contas não faz nada, não tem valor. E se dentro de casa esse pensamento de alguma maneira for validado, mais uma vez estaremos contribuindo erroneamente com o futuro.
Além de contribuir para que essa mulher cultive sentimentos de desvalorização e falta de reconhecimento por si mesma, se colocando em um lugar menor, gerando sofrimento psíquico.
Como temos alimentado nossas crianças sobre enxergar o outro?
O quanto do nosso julgamento social molda o comportamento e ações da nossa prole? Estamos atentos a isso?
Nossa contribuição para a Saúde Mental Materna é diária, e começa em casa.



