Desde o início da vida, lá pela fase da infância a idealização do filho começa. Se imagina o sexo, a cor do cabelo, pele, olhos e tantas outras características físicas e ao decorrer da vida essa idealização começa a ser alimentada por algumas frustrações vivenciadas pelo indivíduo e então surge a profissão ideal, o time ideal, a melhor personalidade. O filho pode ainda não existir no mundo real, mas já é vivo na mente.
Quando uma gestação acontece, todos esses pensamentos vêm em mente favorecendo uma maior idealização. Atualmente casais buscam por exames que proporcionem uma imagem do bebê ainda na barriga cada vez mais nítida, para que possam chegar o mais próximo do real possível. Porém, isso não garante a baixa idealização, e pode propiciar um aumento de cenários fantasiosos.
E então chega o momento do nascimento onde esses pais irão encontrar com o filho real. Um momento, diga-se de passagem, ainda muito romantizado pela sociedade, trazendo como uma “regra” os sininhos tocarem, aquela mãe morrer de amores e uma “chave virar”. Mas, como já sabemos isso não passa de uma expectativa social em cima do papel materno, e lidar com a realidade desse momento é um capitulo a parte e muito particular para cada um que vivencia.
Pensando em cenários de mães que recebem no parto a noticia que seu filho nasceu com uma deficiência física congênita, ou então, o sexo não era o esperado, ou por questões de um parto ou gestação de risco o filho precisará de apoio da UTI-NEO e não seguirá junto da mãe nos primeiros momentos, entre tantas outras situações onde aquela mãe se depara com tudo diferente do que havia idealizado para o início de vida daquele bebê com ela. Ressalto aqui a importância do olhar atento a essas mães, dando espaço para que a mesma se permita sentir, inclusive sentimentos ambivalentes naquele momento.
Outras situações que podemos levantar aqui, é sobre a ida do bebê para casa, e então aquele bebê idealizado, que dorme a noite toda, que não apresenta problemas na amamentação ou que não sente cólicas, que não apresenta seletividade alimentar, começa a dar lugar ao bebê real, que é dependente, sente incômodos naturais e esperados, chora, não dorme tantas horas consecutivas, apresenta necessidades especiais decorrente de um quadro de deficiência, pode apresentar recusa da amamentação, entre outras. Indo ate um pouco mais a frente, esses pais podem vivenciar essa quebra da idealização em várias fases da vida desse novo indivíduo, como por exemplo: aquela criança que apresenta birras, doenças, dificuldades de aprendizagem, de relacionamento, orientação sexual diferente do esperado pelos pais, preferências sociais e profissionais, entre outras questões.
Como lidar com esse filho real? Primeiro legitimando o que sente, dando espaço para vivenciar um luto da idealização, e compreendo que é um processo, e a pressa é inimiga de um bom processo, por isso se acolha, e em seguida, promova acolhimento a esse filho real, ao seu filho real, permitindo ele ser que é, enxergando-o como um SER individual, com suas próprias características, preferências e necessidades singulares.
Dificuldades são como desafios, e as habilidades que ele demostrar é um presente, incentive!
Ser mãe e pai, é uma missão, busque não alimentar expectativas que resultarão em frustrações, diante do peso que coloca em cima de um outro ser para lhe satisfazer.
Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.



