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sáb, 06 jun 2026
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Coluna Aberta: Vulnerabilidade e Maternidade

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Sentimentos de vergonha e medo, medo de não se enquadrar nos padrões que exigem para um “boa” grávida/mãe na sociedade, vergonha por não engravidar, medo de assumir que não quer ser mãe, ou não quer ter um filho, vergonha de demonstrar fragilidade quando se aprende desde cedo que gravidez é saúde, medo de não dar conta ou não ser perfeita como esperam e idealizam, medo de não retornar com o corpo físico de antes, vergonha de assumir publicamente essa última, entre tantos outros medos e vergonhas que encontramos como característica da vulnerabilidade na gestação. Além da auto exigência em ser bonita, delicada, ativa, boa companheira, boa profissional. Não somos perfeitas, estamos em constante possibilidades de evolução, mas é uma escolha.

Até quando iremos resistir a verdade e continuarmos nos iludimos?

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Baseado na pesquisadora Brené Brown, a vulnerabilidade é a vergonha de ser. Todos nós somos vulneráveis, mas nos colocamos mais ainda nesse papel quando resistimos a ele, por exemplo, quando exigimos de nós a perfeição, estar sempre com a aparência de acordo com o que é esperado socialmente, quando vivenciamos uma gestação atípica ou com um bebê com alguma deficiência congênita, o fato de demonstrar força como uma velha e boa “mãe guerreira”, se foi uma gestação tranquila e com um bebê saudável, demonstrando genuína alegria e prazer em viver a maternidade, afinal serei eu a “abençoada”, que precisa ser grata. 

Dessa forma, validamos a percepção que criamos ao longo das gerações que não é cabível aceitarmos em nós, nossas vulnerabilidades. Como se precisássemos mentir para nós mesmas, sem compreender que quanto mais resistimos à vulnerabilidade, mais nos distanciamos da possibilidade de alcançar nosso maior potencial, aumentar nossa força e evoluir como ser. Quando lidamos com nossas fragilidades de maneira a reconhecê-las damos espaço para sermos quem somos, sem usufruir de estratégias exaustivas em atender aquilo que querem ou aquilo que eu quero ser a partir do outro ou do ambiente.

Abro uma reflexão sobre os parceiros dessa mulher vivenciando a maternidade, que muitas vezes também são exigidos (em algumas situações de maneira velada e em outras de maneira aberta) a serem fortes diante de um luto perinatal, ou até mesmo uma doença que possa trazer risco de morte a parceira e ao bebê, e não se vê com espaço de demonstrar o que precisa, de tão enraizado que temos em nossa sociedade essa necessidade do calar ou do resistir, ele mesmo não se permite sentir-se frágil, com medo ou vergonha de certa forma.

O quanto dá espaço para vivenciar a sua vulnerabilidade e desfrutar de novas possibilidades, novos sentimentos, e versões suas que não encontram espaço para aparecer? 

Lembre-se, quando busca se anestesiar da tristeza, vergonha ou medo, também anestesia sentimentos bons e agradáveis, como a alegria.

Você é o adulto que deseja que seus filhos sejam um dia?

O quanto está disposto a ousar ser?

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Coaching – Autoperformance Feminina | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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