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sex, 05 jun 2026
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Conselho de Ética adia decisão sobre deputados envolvidos em quebra de decoro

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O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados adiou nesta semana, devido a um pedido de vista, a análise das representações contra os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Os parlamentares são investigados por suposta quebra de decoro parlamentar, ocorrida em agosto do ano passado, durante a invasão da mesa diretora da Câmara. Na ocasião, teriam impedido o então presidente da Casa, Hugo Motta, de ocupar sua cadeira no plenário em um ato de protesto.

Entenda a Acusação de Quebra de Decoro

O incidente em questão remonta a agosto do ano passado, quando os deputados Marcos Pollon, Zé Trovão e Marcel Van Hattem teriam participado ativamente de um ato que impediu o andamento dos trabalhos legislativos. Conforme as investigações do colegiado, o grupo teria ocupado fisicamente o espaço da Mesa Diretora, obstaculizando a condução da sessão. Esse comportamento é considerado uma afronta direta às normas regimentais e à dignidade do parlamento brasileiro.

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Além disso, a conduta dos parlamentares teria sido motivada por um protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela busca de votação da anistia para os atos ocorridos em 8 de janeiro. A utilização de meios coercitivos para impor uma pauta, segundo a relatoria, desvirtua o papel do deputado e fragiliza a instituição legislativa. A gravidade dos fatos motivou a abertura dos processos disciplinares no Conselho de Ética.

Recomendações dos Relatores

O relator do processo principal, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), já havia emitido seu parecer, recomendando a suspensão do mandato dos três parlamentares envolvidos por um período de dois meses. Em seu voto, Rodrigues argumentou que a Casa precisa estabelecer uma reprimenda severa. Ele defende que isso seria fundamental para deixar claro que o Parlamento não tolera infrações dessa natureza, independentemente da ideologia política que as motive.

Por outro lado, o deputado Marcos Pollon enfrenta um segundo processo disciplinar, também relacionado ao mesmo episódio, mas com acusações adicionais. Neste caso, o relatório da representação, sob a responsabilidade do deputado Ricardo Maia (MDB-BA), apresentou um documento que sugere uma punição ainda mais rigorosa. A recomendação é pela suspensão do mandato de Pollon por 90 dias, dada a gravidade de novas alegações que surgiram no decorrer da investigação.

Acusação Adicional Contra Pollon

A representação adicional contra Marcos Pollon detalha ofensas de caráter pessoal dirigidas ao deputado Hugo Motta, presidente da Casa na ocasião. Segundo o documento, essas ofensas teriam sido proferidas durante a ocupação do Plenário, intensificando a gravidade de sua conduta. Tal atitude é vista como um agravante, pois, além da obstrução dos trabalhos, houve um ataque direto à figura de um colega parlamentar no exercício de sua função institucional.

Portanto, o conjunto das acusações contra Pollon o coloca em uma posição mais delicada perante o colegiado. A soma das infrações e a natureza das ofensas pessoais contribuíram para a proposta de uma sanção mais severa por parte do relator. A conduta esperada de um representante eleito exige respeito às instituições e aos colegas, principalmente em momentos de divergência política, garantindo a urbanidade parlamentar.

O Pedido de Vista e os Próximos Passos

O pedido de vista, formalizado pelo líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), é um mecanismo regimental que permite a um parlamentar mais tempo para analisar o processo antes de votar. Este dispositivo legal tem como objetivo garantir uma deliberação mais aprofundada e consciente sobre o tema. Contudo, ele, por sua natureza, acaba por atrasar a conclusão dos trabalhos do Conselho de Ética.

Em consequência, a deliberação final sobre as possíveis punições foi transferida para a próxima semana, momento em que o colegiado deverá retomar a discussão. A expectativa é que, após a análise adicional solicitada pelo líder da oposição, o Conselho de Ética chegue a um consenso sobre as sanções a serem aplicadas aos deputados. Assim, o resultado definirá um importante precedente para futuras condutas parlamentares e a manutenção do decoro na Câmara.

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