O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu sindicância para apurar possíveis irregularidades no Centro de Combate ao Coronavírus de Guarulhos.
Após fiscalização realizada no dia 4 de junho, o Cremesp comunicou a Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos sobre o cenário que encontrou, além de pedir ao Ministério Público Estadual para que apure possíveis infrações éticas dos médicos responsáveis pelo Hospital de Campanha.
O relatório emitido pelo conselho apontou uma série de irregularidades que coloca em risco pacientes, médicos e profissionais da saúde que atuam no local.
Confira as irregularidades apontadas pelo relatório:
Alto risco de contaminação
– Enfermaria com pacientes confirmados e suspeitos para covid-19 no mesmo ambiente – Leitos com menos de 1 (um) metro de distância entre eles;
– Fluxo livre por todo o hospital e sem identificação de profissionais de diferentes áreas;
– Não foi identificado protocolo para limpeza de filtros de ar condicionado, nem a existência de filtros recomendados para a recirculação do ar, nem de sistema de exaustão para a dissipação dos aerossóis;
– Não foi identificado protocolo de higienização dos consultórios;
– Profissionais levam máscaras para casa. Desrespeito a protocolos e normas técnicas ;
– Separação incorreta dos pacientes internados na enfermaria;
– Muitos pacientes internados sem resultados de teste para covid-19;
– Não foram identificadas orientações sobre higienização do tomógrafo entre um uso e outro;
– Consultórios médicos sem pia e equipamentos básicos previstos na legislação com ar condicionado sem filtro e com recirculação do ar;
– Os 10 leitos de UTI estão fora dos padrões exigidos pela legislação, com estrutura inadequada, oferecendo risco aos pacientes graves e instáveis e desrespeitando a legislação vigente.
EPI e demais equipamentos
– Funcionários que operam o tomógrafo não estavam com os EPI adequados;
– Não são fornecidas máscaras cirúrgicas para pacientes que entram na unidade, contrariando normas da ANVISA e do próprio hospital;
– Havia profissionais com avental de gramatura inferior a 30;
– Não há um local de controle e entrega de EPI;
– Não foram identificadas normas para uso e frequência de troca de EPI;
– UTI não tem normas bem definidas para troca de EPI após manipulação dos pacientes.
Vestiários e conforto médico
– Não foi identificado local para conforto médico;
– A sala indicada pela diretoria do hospital como sendo de descanso médico, não contava com banheiro, chuveiro, colchões e roupa de cama, além de estar em área contaminada;
– Não foram identificados locais para paramentação e desparamentação adequada e segura dos profissionais de saúde.
A Prefeitura de Guarulhos negou que haja qualquer tipo de irregularidade, por meio de nota oficial, e informou que “as inconformidades indicadas pelo médico fiscal não condizem com a realidade”.
O Centro de Combate ao Coronavírus é administrado pela Organização Social Instituto Medizin, em parceria com a Administração Pública Municipal.
Segundo o último Boletim Epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira (08), o Hospital de Campanha está no momento com 74 pacientes internados, sendo 21 nas UTIs, 43 nas enfermarias e dez em observação.


