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sex, 24 jul 2026
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Esquema ioiô: como funciona fraude de R$ 14 bilhões em Guarulhos

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O prefeito Lucas Sanches (PL) revelou como funcionava o “esquema ioiô”, uma das 14 modalidades de fraude que desviaram R$ 14 bilhões dos cofres de Guarulhos durante 16 anos. Dessa forma, funcionários públicos manipulavam o sistema de cobrança de impostos para reduzir drasticamente ou zerar valores de IPTU, beneficiando empresários e pessoas influentes em troca de propina. Consequentemente, a segunda fase da Operação Publicanos investiga cerca de 600 pessoas envolvidas no maior escândalo de corrupção da história da cidade.

A Operação Publicanos deflagrou sua segunda fase nesta quinta-feira (31), com 53 policiais civis cumprindo dez mandados de busca e apreensão em secretarias municipais e residências de servidores suspeitos. Além disso, as investigações do Setor Especializado no Combate à Corrupção (SECCOLD) revelaram que o rombo inicial de R$ 1,5 bilhão, estimado em 2022, chegou aos impressionantes R$ 14 bilhões atuais.

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O desvio equivale a mais de R$ 10 mil por guarulhense, segundo cálculos apresentados pelo prefeito Lucas Sanches. Portanto, o valor desviado seria suficiente para quitar toda a dívida municipal ou construir centenas de escolas e hospitais na cidade.

Como funciona o esquema ioiô

O “esquema ioiô” representava uma das modalidades mais sofisticadas de fraude identificadas pela Operação Publicanos. Assim, funcionários da Secretaria de Finanças alteravam dados cadastrais de imóveis no sistema municipal para reduzir significativamente o valor dos impostos devidos.

Foto: Freepik

Por exemplo, um terreno de 5.000 metros quadrados tinha sua área registrada como apenas 500 metros quadrados ou até mesmo zero no sistema. Consequentemente, o proprietário pagava uma fração mínima do IPTU devido ou ficava isento completamente do tributo. Posteriormente, parte do dinheiro “economizado” pelo contribuinte era repassada aos funcionários envolvidos no esquema.

O nome “ioiô” deriva do movimento de oscilação que os dados sofriam no sistema. Dessa forma, os funcionários alteravam as informações por períodos específicos e depois as revertiam parcialmente, criando um padrão de variação que dificultava a detecção pelos sistemas de auditoria da prefeitura.

Esquema Ioiô: métodos de fraude identificados na Prefeitura de Guarulhos

Modalidade de FraudeComo FuncionavaImpacto Estimado
Esquema IoiôAlteração área imóveis (5.000m² → 500m²)Milhões em IPTU não arrecadado
Junção de InscriçõesUnir terrenos com dívidas altas em matrícula únicaDívidas desapareciam do sistema
Isenções IndevidasEmpresas recebiam benefícios sem direitoPerda de arrecadação de ISS
Avaliações FraudulentasClassificações incorretas de imóveisSubavaliação sistemática
Prescrições ForçadasPerda proposital de prazos legaisAnistia irregular de débitos

Fonte: Prefeitura de Guarulhos e Operação Publicanos/SECCOLD

Lucas Sanches explica dimensão do esquema na administração

O prefeito Lucas Sanches foi enfático ao explicar o impacto do esquema na administração municipal. “A gente tá tendo oportunidade de mostrar pro Brasil inteiro que aqui em Guarulhos a gente não vai aceitar maracutaia”, declarou em entrevista à Rádio Bandeirantes. Além disso, o chefe do Executivo destacou que os R$ 14 bilhões desviados equivalem a “roubar mais de R$ 10 mil de cada guarulhense”.

A prefeitura já havia afastado 40 servidores envolvidos nas investigações, segundo informações de Lucas Sanches. Consequentemente, após esses afastamentos, a arrecadação de ISS relacionada à construção civil dobrou, demonstrando o impacto direto da fraude na receita municipal.

Também segundo o prefeito, o esquema não se limitava à Secretaria de Finanças, mas se estendia para outras pastas como Desenvolvimento Urbano (SDU), Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Secretaria da Justiça e Procuradoria do município. Portanto, a organização criminosa havia infiltrado setores estratégicos da administração pública.

Veja a entrevista com o prefeito de Guarulhos, no canal do YouTube da Rádio Bandeirantes:

Operação Publicanos investiga 600 pessoas em Guarulhos

As investigações iniciadas em 2022, durante a gestão do ex-prefeito Guti, revelaram uma dimensão muito maior do que inicialmente estimado. Assim, o que começou com 12 pessoas investigadas e um rombo de R$ 1,5 bilhão evoluiu para 600 suspeitos e prejuízo de R$ 14 bilhões aos cofres públicos.

A segunda fase da Operação Publicanos contou com a participação de 53 policiais civis e 23 viaturas, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública. Contudo, diferentemente da primeira fase, não houve mandados de prisão, apenas busca e apreensão de documentos e equipamentos.

O esquema teria funcionado durante aproximadamente 16 anos, envolvendo não apenas funcionários públicos, mas também empresários e pessoas influentes que pagavam propina para ter seus impostos reduzidos ou eliminados. Consequentemente, a investigação apura se parte dos recursos desviados foi lavada através de empresas e investimentos imobiliários.

Ex-prefeito Guti defende a própria gestão e colaboração com investigações

O ex-prefeito Gustavo Henric Costa, o Guti (PSD), que governou Guarulhos entre 2017 e 2024, se manifestou através de vídeo nas redes sociais. Dessa forma, Guti afirmou que as investigações tiveram início por iniciativa de sua própria gestão em 2022, após levantamento que apontou divergências na arrecadação de impostos.

Segundo Guti, ele determinou que o então Secretário da Fazenda (que permanece no cargo com Lucas Sanches) iniciasse as investigações internas. Assim, a primeira fase da Operação Publicanos, em dezembro de 2022, resultou na citação de 12 funcionários e afastamento preventivo de 25 servidores da pasta de Finanças.

O ex-prefeito também destacou que sua gestão conseguiu aumentar a arrecadação municipal durante o período, atribuindo parte desse crescimento ao impacto positivo das investigações contra a corrupção. Entretanto, a magnitude do esquema revelada agora surpreendeu até mesmo os investigadores.

Veja o vídeo que Guti publicou em sua conta no Instagram:

Prefeitura planeja blindagem tecnológica contra novas fraudes

A atual administração de Lucas Sanches planeja investir em automatização, tecnologia e inteligência artificial para blindar o sistema da prefeitura contra novas tentativas de fraude. Portanto, a ideia é criar controles automáticos que detectem alterações suspeitas nos cadastros de contribuintes e movimentações atípicas nos sistemas fiscais.

A Prefeitura de Guarulhos declarou apoio total à Operação Publicanos, afirmando que os desvios “prejudicaram não apenas a administração municipal mas, sobretudo, as famílias da cidade”. Consequentemente, a administração reiterou o compromisso em auxiliar a Justiça na apuração completa dos fatos e na responsabilização dos culpados.

Além das melhorias tecnológicas, Lucas Sanches enfatizou a busca pela recuperação dos recursos desviados, lembrando que “o prejuízo ao erário público não prescreve”. Assim, a prefeitura poderá acionar juridicamente todos os envolvidos para ressarcimento integral dos valores subtraídos dos cofres municipais.

O que o esquema ioiô causou na cidade de Guarulhos

O esquema ioiô e demais modalidades de fraude privaram Guarulhos de recursos fundamentais para investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Consequentemente, os R$ 14 bilhões desviados poderiam ter financiado a construção de dezenas de hospitais, centenas de escolas ou a modernização completa da infraestrutura urbana da cidade.

A descoberta do esquema também explica parcialmente as dificuldades financeiras enfrentadas pela administração municipal nos últimos anos. Assim, enquanto funcionários desviavam bilhões através do “esquema ioiô” e outras fraudes, a população sofria com a carência de serviços públicos de qualidade.

Finalmente, a Operação Publicanos representa uma oportunidade histórica para Guarulhos recuperar parte dos recursos desviados e enviar uma mensagem clara de que “crime não compensa”, nas palavras do prefeito Lucas Sanches. A continuidade das investigações promete revelar ainda mais detalhes sobre este que já é considerado o maior escândalo de corrupção da história da cidade.

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