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sáb, 04 jul 2026
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Protestos na Bolívia contra Rodrigo Paz: Pressão popular exige novas leis e diálogo

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Desde o início de abril, a Bolívia enfrenta uma onda de bloqueios em estradas e manifestações massivas, concentradas na capital La Paz e arredores. Movimentos sociais, indígenas, campesinos, professores e mineiros se mobilizam em protesto contra o governo do presidente Rodrigo Paz, empossado há apenas seis meses, exigindo inicialmente a revogação da controversa Lei 1.720, que trata da propriedade de terras, e agora, em alguns setores, até a renúncia presidencial.

A Controversa Lei 1.720 e a Origem dos Protestos

A Lei 1.720, aprovada pelo Parlamento em março e promulgada por Rodrigo Paz em 10 de abril, desencadeou a atual crise política no país andino. A legislação autorizava a conversão de pequenas propriedades tituladas em propriedades médias, conferindo-lhes, assim, acesso facilitado a créditos bancários. Empresas agrícolas apoiaram a medida, vista pelo governo como um motor para reativar a economia e combater a escassez de dólares.

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Contudo, movimentos indígenas e campesinos prontamente alertaram para os perigos da nova normativa, temendo a desintegração de terras coletivas. A doutoranda em ciência política Alina Ribeiro, da USP, destacou que a lei poderia expor pequenos proprietários à especulação imobiliária e hipotecas, além de ameaçar territórios comunitários originários.

A Escalada da Mobilização Popular

Os protestos ganharam corpo rapidamente, com organizações indígenas e populares iniciando marchas desde os departamentos de Pando e Beni, no norte do país, rumo a La Paz. Essas jornadas, que se estenderam por mais de 400 quilômetros e quase 30 dias, culminaram em bloqueios estratégicos nos acessos à capital, reunindo milhares de manifestantes.

Além disso, a mobilização atraiu a adesão de diversos outros setores. A Central Operária Boliviana (COB), uma das principais centrais sindicais do país, convocou uma greve geral por tempo indeterminado. A COB, por sua vez, denunciou a repressão policial e as detenções de lideranças, agregando à pauta inicial demandas como um aumento de 20% no salário mínimo.

A pesquisadora Alina Ribeiro ressaltou o impacto significativo dos bloqueios rodoviários na Bolívia. Conforme sua análise, a interrupção das entradas de La Paz paralisa o abastecimento de alimentos e recursos, compelindo o governo a negociar diretamente com as organizações mobilizadas.

Revogação da Lei e Persistência da Tensão

Diante da crescente pressão popular e dos bloqueios que estrangulavam a capital, o presidente Rodrigo Paz anunciou, em 12 de maio, a revogação da Lei 1.720. Em comunicado oficial, Paz afirmou que a decisão resultou do diálogo e da união dos bolivianos, prometendo um prazo de 60 dias para que o Parlamento discuta um novo texto, baseado em consenso e consulta pública.

Entretanto, a revogação não foi suficiente para dissipar a desconfiança de alguns líderes. Humberto Claros, dirigente da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), considerou a medida apenas uma trégua. Ele expressou ceticismo, alertando para a possibilidade de que o governo e o Parlamento aprovem uma nova lei ‘sob medida’ para o sindicato patronal boliviano (Cainco), visando supostamente desapropriar terras de pequenos camponeses.

Desafios e Próximos Cenários Políticos

Paralelamente à busca por um novo consenso legislativo, o governo de Rodrigo Paz tem tentado criminalizar o movimento popular. Acusações de dirigentes sem apresentação de provas têm sido reportadas, intensificando ainda mais o clima de polarização.

A Bolívia, portanto, navega por um período de incerteza política e social, com um governo que busca consolidar sua autoridade após uma longa hegemonia da esquerda. A capacidade de Rodrigo Paz de mediar os conflitos e construir um diálogo genuíno com os setores mobilizados será determinante para a estabilidade do país nos próximos meses.

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