O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou na última quarta-feira (15), no Palácio do Planalto, que a aprovação da redução da jornada de trabalho por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) é crucial para proteger os trabalhadores de eventuais aumentos futuros de carga horária. Sua declaração ocorre em meio ao envio, pelo governo federal, de um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional ao Congresso Nacional, visando acelerar o debate sobre o fim da escala 6×1 e a limitação da jornada a 40 horas semanais sem redução salarial. Este movimento busca garantir maior qualidade de vida e impulsionar a produtividade no país.
Articulação Governamental: PL e PECs em Foco
Marinho esclareceu que a tramitação das diferentes PECs sobre o tema não compete diretamente com o Projeto de Lei enviado pelo governo na terça-feira (14), que busca agilizar o processo. Conforme o ministro, o rito de um PL é mais célere que o de uma PEC, permitindo que a redução da jornada entre em vigor de forma mais rápida. Dessa forma, caso a PEC seja aprovada em um prazo similar, o PL perderá a sua urgência, todavia, a PEC consolidará a medida constitucionalmente.
A intenção principal, segundo Marinho, é blindar a jornada trabalhista contra “aventureiros” políticos que, no futuro, pudessem tentar aumentar a carga horária. Ele citou como exemplo a recente reforma trabalhista na Argentina, promovida pelo presidente Javier Milei, que ampliou a jornada diária de 8 para 12 horas. Portanto, a inclusão da medida na Constituição é vista como uma salvaguarda essencial para a proteção dos direitos laborais.
Detalhes do Projeto de Lei do Governo
O Projeto de Lei do governo, enviado com urgência constitucional, prevê o fim da escala 6×1, convertendo-a para 5×2, mantendo as oito horas diárias de trabalho, mas reduzindo a jornada semanal para no máximo 40 horas, sem afetar o salário dos trabalhadores. A urgência constitucional assegura que a matéria seja debatida e votada em até 45 dias na Câmara e mais 45 dias no Senado, acelerando sua potencial implementação.
Adicionalmente, o ministro indicou que questões como regras de transição e o tempo de implementação para as empresas serão negociadas e definidas no âmbito do Congresso Nacional. Competindo ao governo, nesse ínterim, defender firmemente seu projeto e trabalhar para a sua aplicação imediata em benefício da população brasileira.
PECs em Análise na Câmara dos Deputados
Atualmente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa duas Propostas de Emenda à Constituição sobre a redução da jornada de trabalho, buscando alterar os parâmetros vigentes. A Constituição Federal hoje estabelece a carga horária máxima de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Essas propostas representam caminhos distintos para a concretização da reforma.
Proposta da Deputada Érika Hilton
Uma das PECs, de autoria da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), propõe uma escala 4×3, ou seja, quatro dias de trabalho e três de descanso. O texto estabelece a limitação da duração do trabalho normal para 8 horas diárias e 36 horas semanais. Além disso, faculta a compensação de horas e a redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva, com previsão de entrada em vigor 360 dias após a publicação.
Proposta do Deputado Reginaldo Lopes
A outra proposta em discussão, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), também busca a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e 36 horas semanais. Semelhantemente à anterior, permite a compensação de horários e a redução da jornada por acordo ou convenção coletiva. Contudo, essa matéria não especifica a escala de dias trabalhados e prevê que a nova jornada comece a valer dez anos após sua publicação.
Impacto Social e Econômico da Medida
Para o governo, a redução da jornada de trabalho sem a diminuição salarial é uma medida que visa primordialmente aprimorar a qualidade de vida da população brasileira. Isso se traduziria em mais tempo para lazer, educação e convívio familiar, aspectos cruciais para o bem-estar social e o desenvolvimento humano.
Marinho enfatizou que a escala 6×1 é considerada a mais desfavorável, especialmente para as mulheres, que frequentemente arcam com a maior parte das responsabilidades domésticas e familiares. Conforme o ministro, a diminuição da carga horária contribuirá significativamente para um ambiente laboral mais saudável, resultando em um consequente aumento da produtividade geral.
Ele ainda mencionou que diversas empresas já implementaram a jornada reduzida, observando melhorias notáveis no ambiente corporativo e nos resultados. Um ambiente de trabalho saudável, de acordo com Marinho, combate o absenteísmo e melhora a concentração e o foco dos colaboradores. Por outro lado, jornadas excessivas e assédio moral podem levar ao adoecimento mental, impactando negativamente a produtividade e a saúde da economia brasileira.


