A economia brasileira registrou um crescimento de 0,7% em maio de 2026, conforme o Monitor do PIB divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. O avanço, que indica uma recuperação após meses de estagnação, foi majoritariamente impulsionado pelo consumo das famílias no país.
Este desempenho positivo de maio de 2026 marca uma retomada na trajetória de crescimento mensal, revertendo o leve recuo de 0,1% observado em abril e a estabilidade registrada em março do mesmo ano. Portanto, a análise do indicador reflete uma recuperação da atividade econômica no curto prazo.
Contudo, ao examinar o trimestre móvel encerrado em maio de 2026, a alta é de 1,9% em comparação com o mesmo período de 2025. A variação acumulada nos últimos 12 meses, por outro lado, alcançou 1,7%, um patamar que sugere uma desaceleração da força econômica em uma perspectiva de médio prazo, conforme indicou a pesquisa.
Consumo das famílias impulsiona crescimento
O consumo das famílias brasileiras destacou-se como o principal motor desse crescimento econômico, expandindo 3,3% no trimestre encerrado em maio de 2026. Este patamar representa o maior nível desde o quarto trimestre de 2024, quando o avanço chegou a 4%, demonstrando a resiliência do setor doméstico.
Mais de 60% desse desempenho positivo do consumo derivou de gastos em serviços e bens duráveis, evidenciando uma mudança nos padrões de consumo. Juliana Trece, coordenadora da pesquisa da FGV, enfatizou que o consumo das famílias foi “o grande responsável pelo desempenho positivo da economia”, sublinhando a importância desse componente.
Sinais de desaceleração na atividade econômica
Embora o consumo se mostre robusto, a economista Juliana Trece apontou diversas “fragilidades” subjacentes nos resultados do PIB brasileiro. Por exemplo, o crescimento da agropecuária ocorreu após uma sequência de retrações, enquanto a indústria apresentou estabilidade, indicando uma perda de fôlego setorial.
Apenas o setor de serviços demonstrou um resultado superior à média geral observada no início de 2026. Consequentemente, a concentração do crescimento econômico no consumo das famílias revela uma dependência significativa desse componente, especialmente porque as exportações e os investimentos registraram quedas no período.
As exportações, por sua vez, cresceram 4,3%, o menor índice desde o segundo trimestre de 2025, sinalizando uma redução no ritmo. O relatório da FGV detalha que a indústria extrativa mineral, que vinha apresentando forte desempenho, registrou um crescimento “significativamente inferior” ao esperado, explicando a desaceleração total das exportações.
As importações, em contraste, expandiram 8,9% no trimestre móvel, marcando a terceira alta consecutiva do indicador. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos na economia, como a compra de máquinas e equipamentos, avançou 2%, sendo a segunda expansão após quatro trimestres seguidos de recuo.
A taxa de investimento da economia brasileira, medida pela FGV, foi de 18,6% em maio de 2026, posicionando-se como a segunda maior do ano, atrás apenas de fevereiro, que atingiu 19,2%. Em termos monetários, o Produto Interno Bruto acumulado até maio de 2026 atingiu a cifra de R$ 5,466 trilhões em valores correntes.
Outros indicadores e projeções
O Monitor do PIB da FGV atua como um dos termômetros para a economia nacional, complementando outros levantamentos relevantes. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), por exemplo, divulgado em 17 de junho, indicou uma expansão de 0,1% entre abril e maio de 2026 e de 1,4% em 12 meses.
O resultado oficial do Produto Interno Bruto, responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é apresentado trimestralmente. A última divulgação, realizada no final de maio de 2026, apontou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre, enquanto a próxima, referente ao segundo trimestre, está prevista para 1º de setembro de 2026.
As expectativas do mercado financeiro para o ano de 2026 indicam um cenário de crescimento, embora moderado. O relatório Focus desta semana, levantamento do Banco Central junto a instituições financeiras, projeta uma alta de 1,99% para a economia brasileira, ao passo que o Ministério da Fazenda estima uma variação de 2,3%.


