A pandemia do Covid-19, tem feito de 2020 um ano difícil, porém único. E em momentos assim, podemos refletir melhor sobre questões que no dia-a-dia passam despercebidas. Desigualdade, privilégios, dinheiro, saúde. A pandemia nos tornou iguais.
Esse ano tem sido diferente em vários aspectos. No campo do trabalho, para o grande empresário e para o autônomo que vende cafézinho na rua. Tudo mudou. Nada será como antes. E as previsões não são animadoras.
O Governo do Estado e a Prefeitura sinalizaram flexibilização da quarentena para reativar o funcionamento do comércio. Mas, o anúncio precipitado fez com que mais pessoas saíssem às ruas, se expondo ao risco de contaminação. O governo recuou e agora adota o fechamento de vias para tentar manter as pessoas longe das ruas.
A principal reivindicação vem de empresários e comerciantes, eles se sentem prejudicados pela atual crise. Entretanto, muita gente está reinventando sua forma de trabalho, ao vender, produzir, criar e anunciar na internet.
Marcelo Lorenzini, era representante comercial de uma indústria de embalagens e decidiu abrir a venda diretamente para os consumidores. De acordo com ele, a figura do representante comercial irá se fortalecer entre os profissionais que levam soluções para seus parceiros além de novas oportunidades.
“Entendo que pode ser um momento para que as pessoas gerem renda dentro de suas casas, fiz uma pequisa e verifiquei que elas podem fazer alimentos e os colocar para serem vendidos através de aplicativos de comida”.
Mas, não foi só o comércio o mais afetado, o setor de serviços terá que se reinventar pós pandemia. A arquiteta e urbanista, Kelly Toledo, trabalha com consultoria, com obras paradas, narra um cenário incerto para o setor.
“Quando começou a quarentena eu estava terminando uma obra e começando outra, mas, tivemos que parar tudo, eu ganho por mês, e com a obra parada eu simplesmente não ganho. O meu setor foi muito prejudicado, fornecedores pararam, mesmo os funcionários querendo seguir com a obra, não é possível, todo mundo teve que parar”.
Rodrigo Sobral, advogado, com escritório próprio, mantinha também uma empresa no segmento de veículos. Com as audiências suspensas, teve também que fechar a concessionária por causa do decreto, muitos clientes suspenderam contratos.
“É difícil saber como as coisas vão ser depois da pandemia, sabemos que não será um cenário fácil. Eu hoje não tenho renda nenhuma fonte de renda estou renegociando dívidas e tive que solicitar o auxílio emergencial nesse período”.
A aeromoça, Fernanda Lopes viu a rotina mudar drasticamente. Ela ministrava treinamentos na companhia aérea e voava com certa frequência. Mas, foi colocada em férias não remuneradas por 60 dias. Hoje, está investindo no que antes era um ‘hobby’, costura e artesanato.
“Já estou pensando em datas comemorativas. O dia das mães está aí, vou produzir sabonetes artesanais e sigo com a produção de máscaras de pano para vendas nesse período. Apesar do cenário me sinto esperançosa com retorno da aviação pós crise”.
O esposo de Fernanda mantém um negócio que também foi afetado pela nova rotina. Ele faz detecção de pragas, mas, para isso, é necessário que as pessoas saiam de casa, o que não é recomendado.
“Os clientes estão remarcando ou cancelando os horários. A boa é que nós estamos mais tempo em casa juntos e nos ajudamos a cuidar da nossa filha e das tarefas do lar“.


