Passageiros de São Paulo enfrentam uma realidade que poucos imaginavam: o medo de usar transporte público devido aos constantes ataques a ônibus. Desde 12 de junho, 523 coletivos do sistema SPTrans foram alvos de vandalismo na capital paulista, enquanto todo o estado já registra mais de mil casos, segundo dados da São Paulo Transporte divulgados neste sábado (19 de julho).
Os números alarmantes incluem ainda mais de 300 ônibus intermunicipais metropolitanos e ao menos 120 veículos municipais das 38 cidades vizinhas da capital e litoral. Somente neste sábado, foram nove novos ataques, de acordo com informações das viações repassadas à SPTrans.
Como os ataques a ônibus mudaram a rotina dos passageiros
A onda de vandalismo transformou drasticamente os hábitos dos usuários do transporte público. Muitos passageiros evitam sentar próximo às janelas e preferem permanecer em pé durante o trajeto. Além disso, pelo menos duas mulheres ficaram feridas ao terem os rostos atingidos por estilhaços de vidro, segundo registros da Secretaria de Segurança Pública.
Os ataques ocorrem principalmente por meio de pedradas, mas também há registros de outros objetos arremessados contra os veículos. Consequentemente, motoristas e cobradores relatam constante estado de alerta durante o trabalho.
Investigações sobre ataques a ônibus avançam com dez prisões
Até o momento, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que dez pessoas foram detidas, entre adultos presos e adolescentes apreendidos. Entretanto, os trabalhos policiais não conseguiram esclarecer completamente os motivos nem impedir novas ações.
Entre as prisões mais recentes está um homem de 29 anos, detido em flagrante na zona sul da capital após arremessar uma pedra contra um ônibus na Avenida Nossa Senhora do Sabará. Também em Cotia, a polícia apreendeu um adolescente de 14 anos identificado por um motorista como autor de um ataque.
Três hipóteses principais investigadas pela polícia
A Polícia Civil trabalha com três linhas de investigação para os ataques a ônibus em São Paulo:
Jogos de desafios pela internet: Inicialmente considerada a principal suspeita, essa tese tem perdido força. Isso porque algumas ações demonstram conhecimento específico do sistema de transportes, incluindo ataques direcionados a vans do Atende (que transportam pessoas com deficiência) e preferência por determinados modelos de ônibus.
Questões sindicais: Porém, os sindicatos são regionalizados, e os ataques ocorrem em diferentes regiões com sindicatos distintos.
Disputas entre empresas: Considerada atualmente a mais provável, especialmente devido à possível ligação entre algumas viações e facções criminosas que atuam nacionalmente.
Coincidência suspeita marca início dos ataques a ônibus
Um elemento crucial chama atenção dos investigadores: no dia 12 de junho de 2025, às 19h32, o secretário Municipal de Mobilidade Urbana assinou despacho autorizando a transferência do contrato da Transwolff para a Sancetur. Horas depois, começou a onda de ataques.
A Transwolff, terceira maior frota da cidade com 1.206 ônibus, havia sido alvo da Operação Fim da Linha em 2024. Essa operação investigou suposta ligação entre diretores da empresa e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Posteriormente, o prefeito Ricardo Nunes anunciou que não manteria mais a Transwolff no sistema municipal.
Segundo levantamentos da SPTrans e do SPUrbanuss, até 12 de junho a média de depredações não passava de cinco casos diários. Contudo, na noite do mesmo dia em que o despacho foi assinado, o número explodiu para cerca de 40 casos.
Impacto dos ataques no sistema de transporte público

O prefeito Ricardo Nunes declarou acreditar que a onda de ataques resulta de ações coordenadas, não de vandalismo aleatório. Essa declaração reforça a tese de estratégia organizada que está impactando profundamente o transporte público paulista.
Enquanto isso, passageiros continuam adaptando suas rotinas diárias. Afinal, como enfrentar o medo quando o transporte público se torna cenário de violência? A resposta ainda está sendo construída pelas autoridades, mas certamente passa por investigações mais eficazes e medidas de segurança ampliadas.
É importante destacar que os casos estão a ser acompanhados de perto pelo Diário do Transporte, que tem servido a grande imprensa com dados e informações precisas.


