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sex, 05 jun 2026
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PF prende líder de quadrilha que trocava etiquetas em Guarulhos

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A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (22) um dos líderes da quadrilha que trocava etiquetas de bagagens de passageiros para envio de cocaína ao exterior no Aeroporto de Guarulhos. No entanto, o criminoso estava foragido há mais de dois anos, segundo informações da corporação.

O grupo é acusado de transportar 126 quilos de cocaína do Brasil para a Europa ilegalmente. Então, o esquema funcionava desde 2022 e foi descoberto em 2023, após um casal de mulheres brasileiras ser preso injustamente na Alemanha. Mesmo inocentes, elas ficaram detidas de fato por 38 dias até que as investigações comprovassem a troca das etiquetas.

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Como funcionava o esquema da quadrilha no Aeroporto de Guarulhos

Segundo as investigações da Polícia Federal, a operação criminosa funcionava em duas etapas principais. A princípio, com falso check-in feito por uma funcionária da Gol. Depois, com ação em área restrita por trabalhadores de empresas terceirizadas.

Foto: Reprodução/TV Globo

Imagens divulgadas pelo Fantástico mostravam um homem com uma mala contendo 43 quilos de cocaína se encontrando com Tamiris Zacharias, de 31 anos. À época, ela era funcionária da Gol Linhas Aéreas e fazia parte da quadrilha.

Nos vídeos, Tamiris fingia fazer os procedimentos necessários, colocava a mala na esteira e despachava a bagagem com as drogas. Contudo, a investigação identificou que a mulher não emitiu nenhum comprovante para o dono da bagagem. A mala seguiu viagem para Lisboa, onde foi posteriormente apreendida pelas autoridades portuguesas.

Foto: Reprodução/TV Globo

As imagens também mostraram Carolina Pennachiotti, de 35 anos, em contato com Tamiris. Carolina trabalhava no aeroporto por uma empresa terceirizada que orientava passageiros nas filas. Em áudios interceptados pela polícia, ela fazia declarações confirmando seu envolvimento no esquema.

Troca de etiquetas em área restrita do aeroporto

A segunda fase do crime acontecia na área restrita do aeroporto, especificamente onde as malas vão após o check-in. Neste espaço, funcionários realizavam a retirada de etiquetas de malas de outros passageiros. Em seguida, colocavam essas etiquetas na bagagem com drogas de forma escondida.

Para esta etapa da operação, a quadrilha contou com Deivid Souza Lima e Pedro Venâncio. Os dois foram flagrados realizando a troca de etiquetas em março de 2023. Isso aconteceu poucos dias antes do mesmo golpe ser aplicado nas duas brasileiras que foram presas na Alemanha.

Dessa forma, quando as autoridades internacionais identificavam drogas nas bagagens, os passageiros inocentes eram presos. Enquanto isso, os verdadeiros proprietários das drogas permaneciam livres, pois suas etiquetas estavam em malas sem substâncias ilícitas.

Condenações e hierarquia da quadrilha no Aeroporto de Guarulhos

Em agosto do ano passado, parte da quadrilha foi condenada pela Justiça. Entre os condenados estão alguns chefões do esquema, como ‘Vovô’, ‘Brutus’, ‘Charles’, ‘Man’, ‘Bahia’ e Carolina, que ocupavam cargos altos na hierarquia.

De acordo com a Polícia Federal, eles eram responsáveis pela logística do tráfico. Desse modo, outros são ‘mentores intelectuais do crime’. Ademais, há ainda os classificados pela própria quadrilha como ‘chefão do esquema’.

Durante as investigações, a PF descobriu métodos específicos do grupo. Um deles, por exemplo, era a utilização da senha ‘futebol’ para tratar da remessa de drogas para o exterior. Os achados se deram através da análise de diálogos encontrados em celulares apreendidos nas operações.

Penas aplicadas aos membros da quadrilha:

  • Gleison Rodrigues dos Santos (Vovô): 39 anos, 8 meses e 10 dias em regime inicial fechado
  • Fernando Reis de Araújo (Brutus): 26 anos, 3 meses e 23 dias em regime inicial fechado
  • Carolina Helena Pennacchiotti: 16 anos e 4 meses em regime inicial fechado
  • Matheus Luiz Melo da Silva (Man): 8 anos e 2 meses em regime semiaberto
  • Eubert Costa Ferreira Nunes (Bahia): 8 anos e 2 meses em regime semiaberto
  • Charles Couto Santos: 7 anos em regime semiaberto

Brasileiras injustamente presas na Alemanha

As goianas Jeanne Paollini, de 40 anos, e Kátyna Baía, de 44, presas injustamente.
Foto: Instagram / acervo pessoal

As goianas Kátyna Baía e Jeanne Paolini ficaram 38 dias presas em Frankfurt depois de terem as etiquetas das malas trocadas por bagagens com drogas. Elas saíram da prisão quando o Ministério Público alemão recebeu o inquérito da Polícia Federal com vídeos que comprovavam a troca das etiquetas no Aeroporto de Guarulhos.

Segundo relatado pela família das vítimas, elas foram detidas no aeroporto separadamente, algemadas pelos pés e mãos. Depois, escoltadas por vários policiais e a única palavra que entendiam era “cocaína”. As duas tentaram argumentar que aquelas não eram suas malas, pois tinham cores e pesos diferentes. Porém, os policiais apenas repetiam a palavra “cocaína”.

Posteriormente, sofreram uma transferência para o presídio feminino de Frankfurt, onde permaneceram separadas. Lá, conviveram com mulheres condenadas por diversos crimes em celas frias e desconfortáveis até que as investigações brasileiras comprovassem sua inocência.

Posicionamento das empresas envolvidas

Na ocasião dos fatos, a defesa de Carolina disse que a prisão era “violação das normas legais”. Além disso, afirmou que demonstraria a improcedência das acusações. A WFS Orbital, empresa terceirizada que contratou Carolina, informou que colaborava com as investigações e oferecia treinamento aos colaboradores.

Tamiris, da Gol, foi demitida da empresa e confessou participação no esquema. A Gol informou que estava à disposição das autoridades desde que soube das investigações. Finalmente, os advogados de Deivid e Pedro Venâncio preferiram não se manifestar sobre o caso.

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