Diante da pandemia do novo coronavírus, uma das maiores preocupações é cuidar da higiene, principalmente das mãos. Mas a higiene bucal também deve ser intensificada, já que uma das portas principais de entrada do vírus é a boca.
“Como as mãos vão ser imprescindíveis para o uso do fio dental, do higienizador da língua e da escova de dentes, é importante que estejam bem limpas, para que a gente possa levá-las até a cavidade bucal”, explica o professor Vinícius Pedrazzi, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp), da Universidade de São Paulo (USP).
O professor esclarece que o estado de saúde do paciente que tenha contraído a Covid-19 pode ser agravado, caso sua higiene bucal não seja realizada da maneira correta. Ele lembra que uma boa higienização da boca pode evitar, principalmente, problemas pulmonares que tornam a doença ainda mais perigosa.
“É muito importante que nós façamos a higienização correta da língua e de todos os dentes, mas com cuidado muito especial para os molares, aqueles mais próximos da faringe, para evitar a pneumonia por aspiração. Então, para prevenir quem está com coronavírus, e mesmo quem não tenha a doença, do agravamento de infecções pulmonares, é imprescindível a higienização bucal correta”, destacou.
Escova dental
Outro alerta de Pedrazzi é para a troca da escova dental, que deve ser feita sempre que uma pessoa estiver se recuperando de alguma infecção, para evitar risco de recontaminação, além do uso diário do fio dental e do enxaguante bucal.
O professor diz que essas medidas são específicas para a higiene bucal durante esse período do novo coronavírus, mas que devem ser levadas para o resto da vida, já que a qualquer momento as pessoas podem ser infectadas por outro vírus.
Outra dica importante é a forma correta de cuidar das escovas dentais mantendo-os imersos em solução desinfetante, à base de água e enxaguante bucal, para evitar a reinfecção após cada uso.
Contra prova
Segundo dados de fabricantes de produtos de higiene pessoal, o brasileiro consumiu uma média de duas escovas de dentes em todo o ano de 2013. Uma troca a cada seis meses. A pesquisa foi divulgada em 2017. Falta informação a esse respeito e falta também atualização de dados mais recentes.
O recomendado pelos dentistas é mudar de escova a cada três meses. Mas, o Conselho Federal de Odontologia reforça o alerta com outra pesquisa feita no mesmo ano e que revela dados preocupantes quanto ao acesso à esse tipo de recurso.
– 20% dos brasileiros não vão ao dentista por falta de dinheiro;
– 46% das pessoas consideram difícil o acesso a dentistas;
– 1/3 não conclui tratamento público por problemas de agendamento de consulta;
– 68% não sabem sequer que têm direito ao atendimento público de saúde bucal;
*Com informações da Agência Brasil e G1


