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sáb, 13 jun 2026
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Relógio Inteligente Detecta Ansiedade e Estresse em Tempo Real, Apoiado pela Fapesp

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Pesquisadores do centro Viva Bem, uma parceria estratégica entre a Fapesp, Samsung e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveram um inovador relógio inteligente que utiliza inteligência artificial para detectar estados de ansiedade e estresse em tempo real. Esta tecnologia, que promete um monitoramento proativo da saúde mental, foi formalmente apresentada por Anderson Rocha, coordenador do CPA e professor da Unicamp, durante a renomada FAPESP Week Londres, evento realizado na capital britânica entre os dias 2 e 4 de junho.

Tecnologia Avançada na Detecção de Sinais Corporais

O software de inteligência artificial desenvolvido atinge mais de 80% de precisão na identificação de episódios de ansiedade, baseando-se em sinais corporais captados por smartwatches. A tecnologia integra continuamente dois tipos de dados vitais: o eletrocardiograma, que registra a atividade elétrica do coração, e a acelerometria, responsável por mapear os movimentos do braço do usuário ao longo do dia. Esses elementos, combinados de forma inteligente, formam o que os pesquisadores denominam de uma “assinatura de dados” individualizada.

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Para capacitar os algoritmos a distinguir com exatidão entre o estado de repouso e o estado ansioso, a equipe de pesquisa implementou protocolos clínicos controlados que induzem o estresse. Em um dos testes, por exemplo, os participantes recebiam a tarefa de realizar cálculos mentais complexos em um curto espaço de tempo, enquanto observavam uma contagem regressiva no próprio relógio. Dessa forma, as respostas fisiológicas ao estresse eram precisamente medidas e utilizadas para aprimorar a capacidade de reconhecimento dos algoritmos.

Ferramenta de Alerta para a Saúde: Limites e Potencial

Anderson Rocha faz questão de ressaltar que a aplicação não possui o intuito de substituir diagnósticos médicos ou psicológicos especializados. A proposta central do projeto é atuar como uma ferramenta de alerta, oferecendo uma camada de monitoramento proativo para o bem-estar do usuário. Contudo, caso o relógio detecte episódios ansiosos recorrentes, enviará um alerta discreto, recomendando que o usuário procure a avaliação de um profissional da área da saúde.

Além disso, a mesma lógica de monitoramento proativo se estende a outras condições de saúde críticas, como hipertensão, diabetes, Parkinson e até mesmo o risco de quedas em idosos. A inteligência artificial, nesse sentido, atua como uma sentinela silenciosa, fornecendo informações valiosas que capacitam o usuário a tomar decisões informadas sobre seu próprio bem-estar. O objetivo final, conforme elucidado por Rocha, é identificar os primeiros sintomas de diversas condições, contribuindo significativamente para uma melhor qualidade de vida.

Os resultados promissores deste projeto encontram-se atualmente em fase de avaliação e aprimoramento contínuo. Portanto, quando a tecnologia for considerada suficientemente madura e robusta, os pesquisadores buscarão a autorização das autoridades competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para iniciar testes abrangentes com usuários reais, garantindo assim a segurança e a eficácia plena do dispositivo inovador.

O Projeto Horus: Combate à Desinformação com Inteligência Artificial

Na mesma palestra em Londres, o professor Anderson Rocha apresentou o Projeto Horus, outro braço de pesquisa crucial do Viva Bem, dedicado às chamadas “realidades sintéticas”. Este projeto lida com o complexo universo de imagens, vídeos e textos gerados por inteligência artificial, desenvolvendo ferramentas avançadas para detectar deepfakes, identificar ataques cibernéticos via SMS e WhatsApp, e localizar falsificações em publicações científicas biomédicas. Adicionalmente, o Horus desempenha um papel fundamental no rastreamento de conteúdos ilícitos ligados ao tráfico de crianças e à pornografia infantil.

Uma das soluções desenvolvidas pelo Horus para a identificação de falsificações em publicações científicas biomédicas já é amplamente utilizada pelo Escritório de Integridade Científica do governo dos Estados Unidos, sendo inclusive disponibilizada como software de código aberto. Por outro lado, outra ferramenta, focada na verificação de imagens, é empregada por agências de checagem de fatos no Brasil, como Lupa, Aos Fatos e G1, e foi acionada para analisar registros visuais de conflitos recentes no Oriente Médio, casos que chegaram a ser reportados por veículos internacionais como Reuters e Agence France-Presse.

Confiança como Pilar da IA Centrada no Ser Humano

Para Rocha, a interseção vital entre a saúde e o combate à desinformação reside em um valor comum e inegociável: a confiança. Ele argumenta enfaticamente que uma inteligência artificial genuinamente centrada no ser humano é absolutamente essencial para fortalecer tanto a resiliência individual quanto o bem-estar coletivo, sublinhando o papel crítico da tecnologia em construir um ambiente digital mais seguro, ético e confiável para todos os usuários da informação.

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