17.8 C
Guarulhos
ter, 21 jul 2026
- PUBLICIDADE -

Coluna Aberta: A dor silenciada do Luto Perinatal

PUBLICIDADE

Considerado luto perinatal quando ocorre a morte do bebê após a 22° semana de gestação, durante o parto ou no puerpério.

O período gestacional é considerado delicado emocionalmente para todas as mulheres e seus parceiros (as), um período gerador de conflitos internos, expectativas, sentimentos ambivalentes e idealizações.

PUBLICIDADE

Também é um período para algumas mulheres de constante preocupação e ansiedade, por resultado de um diagnóstico sobre sua gestação ser de alto risco para vida do bebê ou para a dela, podendo inclusive, ter a necessidade da interrupção da gestação, ou que seu bebê apresenta alguma deficiência que poderá causar seu óbito nos primeiros dias de vida, entre outras causas.

Nesse caso, como lidar com a saúde mental dessa mãe e dos familiares envolvidos? Nossa sociedade não foi preparada para lidar com o tema “morte”, quando falamos da morte de um bebê a resistência é maior ainda. É um tema ainda tratado como tabu.

É comum que as pessoas não compreendam essa dor, e essa mãe poderá ter maior chances de ter um luto complicado, ressalto que os familiares também sofrem impactos emocionais consideráveis e são necessários de atenção tanto de profissionais da saúde quanto da sociedade como um todo.

A perda de um bebê recém nascido não é reconhecida, é desclassificada. O sofrimento dessa mãe é questionado, como se a dor do luto fosse medida pelo tamanho do caixão, e frases como “Pelo menos não deu tempo de criar vinculo com ele” atingem essa mulher em cheio e contribuem para alimentar o seu silêncio e questionamentos, consequentemente aquela mãe se diminui e tende ao isolamento, podendo contribuir para quadros de sofrimento psíquico, como por exemplo, depressão.

Algumas pessoas entendem que não falar no assunto ajudaram essa mãe a esquecer, porém estão indo na contra mão de uma vivência saudável do luto, não existe o esquecimento da perda de um filho, ou a substituição por outro bebê, cada gestação é única, pois trata-se de uma vida, e nessa vida foi depositado desejos e sonhos, por isso a importância da escuta sem melindres. 

Para essa mãe, é importante dar um significado para aquela perda, ter lembranças desse bebê, caixas de memória, a pulseirinha, os dados do bebê, uma foto (pode ser do ultrassom), o pezinho do bebê na carteirinha, são exemplos de itens que podem favorecer a elaboração do luto.

Luto é tudo aquilo que frustra nossas expectativas. Que possamos dar lugar e maior visibilidade para dor do luto perinatal, acolhendo de maneira muitas vezes silenciosa, dando espaço para o barulho que escorrem nas lágrimas daquela mãe.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca de constante aprimorame nto em Saúde Mental

PUBLICIDADE

VEJA TAMBÉM

REDES SOCIAIS

30,908FãsCurtir
10,600SeguidoresSeguir
5,417SeguidoresSeguir
3,070InscritosInscrever
PUBLICIDADE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS