O Brasil registrou um superávit de US$ 9,8 bilhões em sua balança comercial durante o mês de junho de 2026, resultado impulsionado principalmente pelo vigor das exportações de commodities e produtos manufaturados. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou esses dados em 3 de agosto de 2026, indicando um desempenho 66,6% superior ao observado no mesmo período de 2025, o que sublinha a força do comércio exterior brasileiro.
Este expressivo saldo positivo decorre de um aumento substancial nas vendas externas, que cresceram quase 25% no período analisado. Enquanto isso, a corrente de comércio, que soma exportações e importações, atingiu US$ 62,8 bilhões, configurando o maior valor já registrado para um único mês em toda a série histórica do país.
Balança comercial: números-chave de junho de 2026
Em detalhes, o superávit de US$ 9,8 bilhões representa um avanço de 66,6% em relação a junho de 2025. As exportações totalizaram US$ 36,3 bilhões, exibindo uma expansão de 24,9%, ao passo que as importações alcançaram US$ 26,5 bilhões, crescendo 14,4%. Consequentemente, a corrente de comércio apresentou um aumento de 20,3%.
Este desempenho coloca o resultado de junho de 2026 como o terceiro melhor superávit para o mês na série histórica. O Brasil havia registrado saldos superiores apenas em junho de 2021, com US$ 10,414 bilhões, e em junho de 2023, que marcou US$ 10,077 bilhões.
Exportações lideram crescimento com destaque para commodities
O notável crescimento das exportações foi amplamente conduzido pela indústria extrativa, que registrou vendas de US$ 9,9 bilhões, representando um aumento de 58,4% frente a junho de 2025. Além disso, a indústria de transformação também contribuiu significativamente, com US$ 18 bilhões em exportações, um crescimento de 14,7%.
O agronegócio, por sua vez, registrou US$ 8,1 bilhões em vendas externas, com uma expansão de 18%. Entre os produtos que mais se destacaram, o petróleo bruto da indústria extrativa teve um avanço de 78,9% em comparação a junho do ano anterior, e o minério de ferro cresceu 20%. No setor de transformação, os combustíveis apresentaram alta de 88,8%, enquanto as carnes de aves e bovina aumentaram 62,4% e 39,2%, respectivamente. Na agropecuária, a soja cresceu 17,3%, animais vivos 208,8% e algodão bruto 64,1%.
Destinos globais impulsionam vendas brasileiras
As exportações brasileiras se expandiram para a maioria dos principais mercados mundiais. A Ásia recebeu US$ 17,4 bilhões em produtos brasileiros, um crescimento de 29,9%. Da mesma forma, as vendas para a Europa subiram 43,9%, totalizando US$ 6,4 bilhões, e para a América do Norte, alcançaram US$ 4,9 bilhões, com avanço de 8,5%.
Apesar de tensões comerciais entre os dois países, as exportações para os Estados Unidos registraram um aumento de 3,7% entre maio e junho de 2026. Paralelamente, a América do Sul também mostrou crescimento de 7% nas compras de produtos brasileiros, totalizando US$ 3,9 bilhões. Contudo, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, ressaltou que ainda é cedo para avaliar os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia, embora já haja relatos de maior interesse por parte de importadores europeus.
Importações avançam impulsionadas por bens de consumo
As compras brasileiras no exterior também registraram um aumento em junho de 2026. Os bens intermediários lideraram as importações, somando US$ 15,1 bilhões, com uma alta de 10,9%. Além disso, os bens de consumo apresentaram o maior crescimento percentual, avançando 34% e atingindo US$ 5,7 bilhões.
Os bens de capital, essenciais para investimentos produtivos, registraram importações de US$ 3,5 bilhões, com um aumento de 5,7%. Enquanto isso, os combustíveis representaram US$ 2,2 bilhões nas importações, crescendo 11,6% no período.
Primeiro semestre sólido e projeções otimistas para 2026
No acumulado de janeiro a junho de 2026, a balança comercial brasileira demonstrou um desempenho robusto, registrando um superávit de US$ 42,4 bilhões. As exportações totalizaram US$ 184,8 bilhões, um aumento de 11,5% em comparação ao mesmo período de 2025, e as importações atingiram US$ 142,4 bilhões, crescendo 5,1%.
Diante desses resultados favoráveis no primeiro semestre, o Mdic revisou para cima sua projeção de superávit para o ano de 2026. A estimativa oficial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Portanto, a previsão para as exportações foi elevada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, e a das importações, de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Por outro lado, as expectativas do mercado financeiro, conforme o boletim Focus, indicam um superávit comercial de US$ 76,2 bilhões para o ano corrente.


