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dom, 14 jun 2026
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Bioacessibilidade de Minerais em Castanhas: Estudo da Unifesp Revela Absorção Real

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Um estudo pioneiro da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com apoio da FAPESP, revelou como o corpo humano realmente aproveita os minerais presentes nas castanhas. A pesquisa, publicada em março na revista Química Nova, simulou a digestão humana em laboratório, focando na bioacessibilidade de nutrientes de castanhas-do-pará e de caju, oleaginosas amplamente consumidas no Brasil. O objetivo central foi quantificar a fração de minerais que efetivamente se torna disponível para absorção.

Contexto da Pesquisa e Metodologia

O professor Angerson Nogueira do Nascimento, coordenador do estudo na Unifesp, explicou a linha de pesquisa voltada ao real valor nutricional dos minerais na dieta. Segundo ele, sua equipe não apenas quantifica a concentração total de elementos nos alimentos, mas também emprega ensaios que replicam os processos de digestão gástrica e intestinal in vitro. Esta abordagem inovadora, desenvolvida em parceria com o grupo do professor Dário Santos Junior do ICAQF, fornece uma compreensão mais profunda sobre a eficácia da ingestão de nutrientes.

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Primeiramente, as concentrações totais dos minerais foram determinadas nas amostras de castanhas-do-pará (Bertholletia excelsa) e de caju (Anacardium occidentale). Posteriormente, para avaliar a bioacessibilidade de minerais em castanhas, os cientistas utilizaram um experimento em laboratório que simulou de forma rigorosa as condições do sistema digestivo humano. Foram controlados fatores como temperatura, agitação, pH e a composição enzimática, garantindo uma representação fiel do processo fisiológico.

A Importância dos Minerais Analisados

Os pesquisadores concentraram suas análises em quatro minerais vitais para a saúde humana: cobre, magnésio, manganês e zinco. O cobre é crucial para a formação dos glóbulos vermelhos, produção de energia e manutenção do sistema imunológico. O magnésio, por sua vez, é essencial para a saúde óssea e para a função muscular adequada.

Além disso, o manganês atua como antioxidante e participa da formação dos ossos e tecidos conjuntivos. Enquanto isso, o zinco é fundamental para o sistema imunológico, a cicatrização de feridas e a síntese de proteínas no corpo. A compreensão da bioacessibilidade desses elementos é, portanto, vital para otimizar a nutrição.

Bioacessibilidade vs. Biodisponibilidade: Uma Distinção Crucial

É importante distinguir bioacessibilidade de biodisponibilidade, conceitos centrais para o estudo e para a compreensão do aproveitamento nutricional. A bioacessibilidade refere-se à fração do nutriente que é liberada do alimento no trato gastrointestinal e que fica potencialmente disponível para absorção. Contudo, a biodisponibilidade abrange a porção que é efetivamente absorvida, metabolizada e utilizada pelo organismo.

Dessa forma, a biodisponibilidade considera processos mais complexos como distribuição, metabolismo e excreção, demandando estudos com animais ou seres humanos, o que exige altos recursos e aprovação de comitês de ética. O presente estudo focou na bioacessibilidade de minerais em castanhas, utilizando métodos laboratoriais in vitro, uma abordagem eficiente para a fase inicial da análise nutricional.

Resultados Detalhados para Castanhas-de-Caju e do Pará

Os resultados para as castanhas-de-caju revelaram que, após a simulação da digestão, aproximadamente 56% do cobre e 52% do magnésio estavam disponíveis para absorção. No entanto, as quantidades de manganês e zinco detectadas estavam abaixo do limite de medição confiável da técnica instrumental utilizada. Portanto, apesar de presentes, a disponibilidade desses dois últimos minerais se mostrou limitada neste tipo de castanha.

De maneira similar, na castanha-do-pará, cerca de 50% do cobre e 28% do magnésio demonstraram bioacessibilidade. Tal como nas castanhas-de-caju, as concentrações de manganês e zinco também ficaram abaixo do limite de detecção da metodologia. Assim sendo, a pesquisa reforça que a simples presença de um mineral no alimento não assegura sua plena utilização pelo corpo humano.

Implicações dos Achados Científicos

Os achados do estudo sublinham que a avaliação do valor nutricional de um alimento não pode se restringir à sua concentração total de nutrientes. O professor Nascimento enfatiza a necessidade fundamental de investigar também o comportamento desses elementos em condições que simulem o sistema digestivo, o que permite estimar sua real disponibilidade para absorção. Esta perspectiva é crucial para guiar recomendações dietéticas mais precisas.

Por outro lado, as castanhas analisadas, apesar de não liberarem todos os minerais em sua totalidade, podem contribuir de forma complementar para uma dieta equilibrada e diversificada. Assim, embora não devam ser consideradas fontes exclusivas desses nutrientes, seu consumo permanece benéfico como parte de um plano alimentar variado e rico em diferentes tipos de alimentos.

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