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sex, 05 jun 2026
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Coluna Aberta: Mães adolescentes, o que precisamos saber?

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Em nosso país, em torno de 20% das nossas gestantes são classificadas como adolescentes na faixa etária de 12 á 18 anos de idade. Um público mal visto pela sociedade, afinal ter um filho(a), não é algo esperado culturalmente na infância ou na adolescência, e sim em adultos, mulheres e homens héteros e casados. Quando algo foge do que o social espera, se torna alvo de preconceitos e insatisfação.

Primeiro passo para compreender as reais necessidades dessa gestante, é ter claro o que é a adolescência, essa dita fase, foi criada a partir do século passado, um termo super novo, antes disso o indivíduo deixava de ser criança e passava a ser adulto direto, ou seja, a adolescência é uma construção social.

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Nesse período o adolescente passa por mudanças corporais, comportamentais e emocionais. É uma busca pelo EU, por uma identidade a partir do que é alimentado socialmente, do que admira e do que entende como positivo para si. Um sujeito que precisa provar que consegue viver e existir por si mesmo. Essa busca pode gerar alguns conflitos e ser interpretado pela sociedade como fragilidade e incompetência.

É comum que gestações na adolescência sejam encontradas em maior número nas classes C e D, onde as mães se encontram em ambientes de pobreza ou extrema pobreza, baixa escolaridade e sem tantas perspectivas.

As problemáticas enfrentadas pela gestante adolescente estão ligadas a questões do cenário social que a mesma está inserida e não propriamente por ser uma gestação na adolescência. Ter acesso a essa informação é importante para que todos possamos entender a nossa responsabilidade dentro da realidade dessa mãe.

Uma série de desajustamentos familiares as coloca em situações de risco. Trata-se em sua grande maioria, de meninas com baixa renda, que ao iniciar sua vida sexual sem muitas vezes a devida informação, ou mesmo com informação, mas,  sem ainda se entender com autonomia para impor o uso de contraceptivos ao parceiro ou com o pensamento chamado de egocentrismo messiânico, onde o adolescente acredita que pode tudo e nada de ruim acontecerá com ele. São características encontradas nesse quadro.

Um número expressivo não recebe apoio familiar ou do parceiro desde a descoberta, tem medo e vergonha de serem hostilizadas pelos colegas ou sofrer olhares preconceituosos de professores e outros profissionais, resultando na evasão escolar. Além de entenderem que “a vida e os sonhos de um futuro acabaram”, pensamento muitas vezes validado pelos familiares e conhecidos.

Importante ressaltar que esse público, tem maiores chances e riscos de apresentar problemas obstétricos do que uma mulher gestante adulta. Essa adolescente apresenta sentimento de medo, rejeição, vergonha dos amigos e colegas que dependendo da idade ainda são virgens, se vê em uma situação de pico de estresse elevado, tendo uma maior probabilidade de pressão alta gestacional e complicações por consequência emocional que podem inclusive causar a perda do bebê e malefícios a saúde dessa mãe.

Infelizmente, ainda encontramos essa gestante sofrendo violências obstétricas das mais diversas formas ao procurar a assistência, desde olhares de julgamento, comentários inapropriados sem atenção a subjetividade daquela mãe, indução ao aborto e alimentação sobre ser incapaz de gerar de maneira adequada e promover cuidados adequados aquela nova vida que está se formando em seu útero.

O nosso papel social é lidar com nossas expectativas e não depositarmos no outro a responsabilidade de agir da maneira que julgamos correta. E sobre essa mulher é acolher, orientar de maneira respeitosa e enxergá-la. Além de contribuir para que a mesma se enxergue em sua condição atual, não como perda de uma vida, sonhos e objetivos. Mas sim como um momento de respeito sobre o que ela é e o que tem para oferecer para si mesma.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca de constante aprimorame nto em Saúde Mental

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