A economia brasileira registrou um crescimento de 0,7% em maio de 2024, após ajustes sazonais. O bom desempenho foi notadamente impulsionado pelo consumo das famílias, conforme os dados divulgados pelo Monitor do Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) na última segunda-feira, 20 de junho.
O estudo da FGV, que faz estimativas mensais sobre o PIB nacional, indica que a variação positiva acumulada nos últimos 12 meses, encerrados em maio, alcançou 1,7%. No trimestre móvel compreendido entre março e maio de 2024, a alta foi de 1,9% em comparação com o mesmo período de 2023, consolidando uma trajetória de recuperação após oscilações nos meses anteriores.
Consumo familiar sustenta a alta econômica
O principal motor do avanço econômico em maio de 2024 foi o consumo das famílias, que apresentou uma expansão de 3,3% no trimestre encerrado no mesmo mês. Este é o maior patamar observado desde o quarto trimestre de 2023, quando o indicador avançou 4%.
Adicionalmente, mais de 60% desse crescimento do consumo originou-se dos setores de serviços e de bens duráveis. A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, destacou que o desempenho das famílias foi o grande responsável pelo resultado positivo geral da economia brasileira neste período.
Sinais de desaceleração persistem
Apesar da retomada em maio, o Monitor do PIB da FGV aponta para alguns sinais de arrefecimento na economia. O indicador de 12 meses (1,7%) mostra uma perda de força quando comparado a períodos anteriores; em março de 2024, por exemplo, a variação era de 3%, e em maio de 2023, atingia 3,8%.
Contudo, a economista Juliana Trece também ressalta “fragilidades” no panorama. Enquanto os serviços apresentaram um resultado ligeiramente superior à média do início do ano, o crescimento da agropecuária ocorreu após uma sequência de retrações. Além disso, a estabilidade industrial sugere uma perda de fôlego do setor.
Por outro lado, a concentração do crescimento no consumo familiar evidencia uma dependência desse componente, uma vez que as exportações e os investimentos exibiram quedas significativas. Portanto, embora a economia continue a crescer, há indícios importantes de desaceleração que começam a se manifestar nos resultados.
Comportamento de exportações, importações e investimentos
As exportações registraram um crescimento de 4,3% no trimestre móvel até maio de 2024, representando o menor avanço desde o segundo trimestre de 2023, que marcou 2,1%. O desempenho inferior da indústria extrativa mineral explica, em grande parte, essa redução no crescimento das exportações.
Em contrapartida, as importações expandiram 8,9%, configurando o terceiro trimestre móvel consecutivo de alta. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos em máquinas e equipamentos, avançou 2% no trimestre móvel, sendo a segunda expansão após quatro trimestres de recuo.
A taxa de investimento da economia brasileira, em maio de 2024, foi estimada em 18,6%, posicionando-se como a segunda maior do ano, atrás apenas de fevereiro, que registrou 19,2%. Em termos monetários, o PIB acumulado até maio de 2024 alcançou a cifra de R$ 5,466 trilhões.
Outros indicadores e projeções para 2024 e 2026
Outros levantamentos econômicos corroboram parte dos resultados da FGV. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado em 17 de junho de 2024, apontou uma expansão de 0,1% na passagem de abril para maio e um crescimento de 1,4% em 12 meses.
O resultado oficial do PIB brasileiro é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última apresentação, no final de maio de 2024, indicou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2024. A próxima divulgação do IBGE, referente ao segundo trimestre de 2024, está programada para 1º de setembro de 2024.
As expectativas do mercado financeiro, refletidas no relatório Focus do Banco Central, estimam que a economia brasileira deve encerrar 2024 com uma alta de 1,99%. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda projeta uma variação de 2,3% para o mesmo período. Para o ano de 2026, a previsão do mercado aponta para um crescimento de 1,99%.


