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ter, 21 jul 2026
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Eleições na Colômbia: País vai às urnas para definir novo presidente

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A Colômbia, segundo país mais populoso da América do Sul, com 53 milhões de habitantes, vai às urnas neste domingo, dia 31, para eleger seu próximo presidente, que governará o país entre 2026 e 2030. A disputa, que conta com 14 candidatos, apresenta um cenário polarizado, com três nomes despontando como favoritos para um provável segundo turno, agendado para 21 de junho.

Entre os nomes que lideram as pesquisas, destacam-se Ivan Cepeda, filósofo de esquerda e defensor dos direitos humanos, que mantém forte aliança com o atual presidente Gustavo Petro. Ademais, Paloma Valencia, senadora que representa a direita tradicional colombiana, é uma figura próxima ao ex-presidente Álvaro Uribe. Por fim, Abelardo de La Espriella, um advogado milionário e admirador de figuras como Javier Milei e Donald Trump, surge como um nome que nunca se candidatou anteriormente.

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Cenário Geopolítico e Alinhamentos Políticos

Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), enfatiza a importância estratégica da Colômbia no continente. O país, por possuir saídas tanto para o Pacífico quanto para o Caribe, desempenha um papel crucial nas dinâmicas regionais. Consequentemente, o resultado desta eleição pode redefinir o seu posicionamento global.

Durante seu mandato, o atual presidente Gustavo Petro, o primeiro chefe de Estado de esquerda da história colombiana, buscou uma aproximação significativa com o Brasil, especialmente com o presidente Lula, em pautas ambientais e sociais. A eleição do seu sucessor determinará a continuidade dessa proximidade regional. Em contrapartida, a vitória de candidatos como Paloma Valencia ou Abelardo de La Espriella poderia sinalizar uma retomada de vínculos mais estreitos com os Estados Unidos.

Historicamente, a Colômbia era reconhecida como uma das principais aliadas de Washington na América do Sul, uma posição que se alterou com a ascensão de Petro em 2022. Portanto, o pleito deste domingo não apenas escolherá um líder, mas também definirá a direção da política externa do país para os próximos anos. A decisão impactará diretamente as relações com potências globais.

Os Favoritos na Disputa Presidencial

Ivan Cepeda: A Continuidade da Esquerda

Ivan Cepeda, figura proeminente da esquerda colombiana, lidera as pesquisas e é considerado quase certo no segundo turno das eleições. Ele é filho do senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, crime atribuído a agentes estatais em cumplicidade com paramilitares. Essa trajetória familiar marca profundamente sua atuação política e seu compromisso com os direitos humanos.

O pesquisador Matheus Petrelli esclarece que, embora Cepeda herde parte da popularidade de Gustavo Petro, sua trajetória política é singular. Petro tem origem na guerrilha M-19, ao passo que Cepeda construiu uma carreira como legislador. Sendo assim, suas abordagens dentro da esquerda colombiana apresentam distinções notáveis, embora compartilhem o mesmo campo ideológico.

Ademais, Cepeda tem um histórico robusto de enfrentamento a Álvaro Uribe, uma das figuras mais emblemáticas da direita colombiana. Ele foi um dos responsáveis por reunir provas contra o ex-presidente no escândalo dos ‘falsos positivos’, um caso que gerou grande comoção pública no país. Essa postura o consolidou como uma voz crítica e atuante.

Estima-se que aproximadamente 7,8 mil pessoas, majoritariamente jovens de áreas pobres, foram assassinadas entre 2002 e 2008 pelas forças armadas, durante o governo Uribe, e apresentadas como guerrilheiros mortos em combate. Tal prática visava inflar os números da guerra contra grupos paramilitares, resultando em um dos mais sombrios capítulos da história recente colombiana.

Em agosto de 2025, o ex-presidente Uribe foi, em primeira instância, condenado por fraude processual e suborno de testemunhas no processo dos falsos positivos, tornando-se o primeiro presidente colombiano a enfrentar tal condenação. Contudo, em outubro de 2025, Uribe foi absolvido da acusação em segunda instância. A participação de Cepeda foi crucial para a denúncia inicial do caso.

Paloma Valencia: A Direita Tradicional e Uribista

Paloma Valencia, senadora do Centro Democrático, representa a direita tradicional e o uribismo na corrida presidencial. Ela é uma fiel seguidora de Álvaro Uribe, a ponto de sugerir nomeá-lo Ministro da Defesa em uma eventual gestão. Sua plataforma ecoa as políticas de seu padrinho político, reafirmando um posicionamento claro e alinhado aos princípios conservadores.

Similarmente a Uribe, Valencia manifestou-se contrária aos acordos de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), defendendo um enfrentamento direto às guerrilhas, sem abertura para diálogo. Por conseguinte, sua agenda prioriza a segurança e a ordem, o que se alinha a uma parcela significativa do eleitorado conservador e nacionalista.

Embora Abelardo de La Espriella surja como um fenômeno outsider, por vezes superando Valencia nas pesquisas para o segundo turno, o pesquisador Matheus Petrelli observa uma recuperação política do uribismo. Ele explica que essa força tradicional da direita continua a ter um peso considerável no cenário eleitoral colombiano. Portanto, a disputa da direita ainda se mostra fragmentada, mas com raízes profundas.

Abelardo de La Espriella: A Extrema-direita no Jogo

Abelardo de La Espriella, advogado milionário e figura sem histórico eleitoral, emerge como o representante da extrema-direita nesta eleição. Suas inspirações em líderes como Javier Milei e Donald Trump indicam uma plataforma com pautas populistas, anti-establishment e focadas na liberdade individual e no conservadorismo moral. Ademais, sua ascensão reflete o descontentamento de uma parcela do eleitorado com a política tradicional.

Apesar de ser um novato na política, De La Espriella já conseguiu um destaque significativo nas pesquisas, desafiando a polarização tradicional entre esquerda e direita. Consequentemente, sua presença embaralha as projeções para o segundo turno, introduzindo um elemento de imprevisibilidade na corrida presidencial colombiana. Isso demonstra a força de discursos outsiders em contextos de insatisfação popular.

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