Neste mês da mulher, você confere três histórias inspiradoras de mulheres que venceram dificuldades, preconceito e ainda lutam pelo seu espaço no automobilismo.
Erika Prado, de 29 anos, Engenheira Mecânica paulistana começou com sua paixão por carros e pelo automobilismo desde pequena acompanhando a Fórmula Indy. Esta paixão ganhou ainda mais força quando viu sua primeira corrida ao vivo em São Paulo.
Começou a se dedicar ao esporte a motor em 2018, indo em todas as corridas na Fórmula Vee até que conseguiu uma oportunidade. Já na Copa HB20, através de um teste promovido pela categoria, conseguiu seu espaço para trabalhar lá. Atualmente Erika trabalha na Stock Light como Engenheira de Dados de Motorsport e está passando por uma fase de grande aprendizado e evolução no esporte.
Além de toda esta trajetória e estudo, ela ainda teve que lidar com machismo, preconceito e muita porta fechada. Como se não bastasse os “nãos” recebidos, depois de ingressar na sua função ainda precisa lidar com muito preconceito e comentários maldosos até hoje.
Satisfeita com seu momento, destaca que todo ambiente que te força a estudar mais e ser melhor, vale a pena estar. Quer mostrar para todos que mulher também pode se destacar no automobilismo. Para o futuro, ela deseja ser campeã na Stock Light.
Fernanda Aniceto, 36 anos, divide-se em ser mãe do Buh (6 anos) e do Toro Loco (4 anos), ser head no mercado financeiro e também piloto de competição no automobilismo nacional.
Com muita determinação ingressou no automobilismo em 2018, fazendo testes em turismo com os Opalas da Stock Race, guiando os carros de numeral 3 (de Ricardo Álvares) e 9 de (Marco Maragno).
Focando em uma categoria de base para sua formação, começou pelos Fórmulas Vee até que em seguida criou raízes na Fórmula 1600, no qual compete pelo Campeonato Paulista. Em 2019 ingressou na F1600 na metade do campeonato, conquistou a décima primeira posição e em 2020 a quinta posição.
Buscando novos desafios, participou da primeira formação 100% feminina na Lendária prova de Endurance (com 12 horas de duração), as 1000 Milhas do Brasil de 2021. A dupla liderou a maior parte da prova, porém, faltando menos de uma hora para o término, houve uma quebra na homocinética, tirando a vitória delas, mas mesmo com a quebra, alcançaram o segundo lugar na sua categoria.
Além disso, tem participado de provas em várias categorias e possui um projeto todo especial, a 2Girls, dupla composta por Fernanda Aniceto e Luciane Klai para, segundo ela, guiar qualquer carro na pista.
Fernanda se coloca como uma pessoa determinada a chegar no topo do automobilismo de competição, não importa o quanto tenha que se esforçar e se dedicar para isso! Ela acredita, que a fé naquilo que se quer e trabalho são as ferramentas para alcançar qualquer Sonho!
Ela também levanta uma bandeira muito alta de que automobilismo é para quem quiser e que Interlagos é de todos (entusiastas e amantes do automobilismo de qualquer gênero e de qualquer condição social).
Por fim, para aqueles que um dia pensam que algo é impossível, ela quando criança dizia para si mesma, “nunca conseguirei ser piloto”, e hoje ela sabe que estava errada! Tudo é possível! E deseja: “Parabéns a todas as mulheres que acordam todos os dias para fazer algo “impossível”, Feliz dia das Mulheres!”
Regina Calderoni sempre foi fã de Ingo Hoffmann e já havia assistido diversas corridas em Interlagos. Começou sua trajetória em 1983 quando foi convidada para ser cronometrista de Fausto Rezende na Stock Car, daí em diante se apaixonou completamente pelo esporte.
Levou um tempo até Regina conseguir juntar dinheiro para pagar o curso e vencer a resistência para ingressar no esporte. Quando conseguiu e foi aceita por Expedito Marazzi, foi apresentada na escola de pilotagem como a primeira pilota que ele estaria formando.
No fim do curso de pilotagem, Regina ainda precisou fazer um curso de mecânica básica para que fosse habilitada como piloto. Com muita luta conseguiu seu primeiro carro, um Opala, o batizando com o número 64 (dia e mês de seu aniversário), sendo preparado pelo Carlos Castrale (também piloto da Stock Car e preparador internacional) e peças fornecidas pela loja da Chevrolet, a Vigorito.
Mesmo assim Regina teve que lidar com muito preconceito de mídias da época que não aceitavam uma mulher como pilota, exceto um jornal daqui de Guarulhos. Em 1989 em sua primeira prova, não queriam deixá-la correr, precisou recorrer a um mandado de segurança para participar, gerando novamente uma enxurrada de manchetes preconceituosas.
Com um grid de 65 carros, ela se classificou sem passar pela repescagem (uma novidade nessa época). Mesmo com todas as tentativas de impedi-la, terminou a corrida por volta do 24 lugar. Para ela, foi uma grande vitória, sendo a primeira mulher a correr na maior categoria nacional, superando tantas batalhas e dificuldades para praticar o esporte que tanto ama.
Ainda participou de outras categorias como Brasileiro de Marcas, usando carros como Gol e Voyage, foi eleita como um dos 10 melhores pilotos do Brasileiro pela Revista 4 Rodas. Após isso, Regina priorizou sua vida pessoal e se afastou por volta de 15 a 17 anos das pistas. Mas às vezes corria de kart rental para matar a saudade do automobilismo.
Após passar por um divórcio, ela voltou a se reestruturar para correr novamente, agora na recém criada Old Stock. Comprou um Opala e começou a prepará-lo, o desmontando na casa de sua mãe.
Recebeu uma “ajuda” de uma pessoa que ficou com parte das peças e não montou o carro, mas foi realmente ajudada por Fabio Franzoni, JR Racing, Junior e muitas outras pessoas (todas com o nome no carro), trazendo para as pistas o seu Opala 46 (já que o 64 havia sido escolhido por outro piloto), carro o qual tem um significado muito especial e recebe carinhosamente o apelido de Penélope.
O seu carro é uma bandeira de esperança, força de vontade, determinação e de solidariedade, ajudando na arrecadação de brinquedos para doar para as crianças que vão ao Autódromo de Interlagos, como também para crianças que possuem câncer, síndrome de down ou paralisia cerebral.
Regina quer voltar às pistas quando toda essa pandemia passar, para mostrar para as pessoas que é possível realizar seus sonhos e para levar a alegria para as crianças com sua 46. Dentre todos os troféus nenhum deles tem tanto significado quanto a primeira vez que alinhou em Interlagos, toda vez que ela entra no grid de largada a emoção e a sensação é a mesma até hoje.

Paulo Campaneli é Analista de Sistemas, piloto de kart e de Fórmula Vee, apaixonado por automobilismo e carros, entrou no mundo do esporte a motor em 2017, representando Guarulhos na modalidade e participa das etapas na Fórmula Vee no Campeonato Paulista, Copa ECPA, e kartismo amador.


