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ter, 21 jul 2026
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Prevenção de Intoxicação Alimentar Doméstica: Especialistas Alertam para Riscos em Casas

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Dados recentes do Ministério da Saúde e de órgãos de vigilância sanitária revelam uma realidade pouco conhecida no Brasil: a maior parte das intoxicações alimentares não ocorre em estabelecimentos comerciais, mas sim no ambiente doméstico. Contudo, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), apoiado pela FAPESP, investigaram essa questão e apresentaram diretrizes essenciais para a prevenção de intoxicação alimentar doméstica, visando conscientizar a população sobre os riscos e as melhores práticas de higiene e manipulação de alimentos dentro de casa.

Esta constatação desafia a percepção popular, que frequentemente atribui os surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTAs) ao consumo fora de casa. Portanto, o estudo avaliou as práticas de higiene e manipulação que aumentam o risco nos lares brasileiros, publicando seus resultados na renomada revista Food and Humanity. A pesquisa, outrossim, destacou que hábitos perigosos são comuns entre os brasileiros.

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Por exemplo, o consumo de ovos crus ou malcozidos e carne malpassada foi identificado como um fator de risco significativo. Além disso, os pesquisadores observaram que muitos consumidores ainda lavam carne na pia da cozinha, uma prática que favorece a disseminação de microrganismos patogênicos por todo o ambiente, contaminando superfícies e utensílios. A falta de higienização correta de vegetais também se mostrou um problema recorrente, contribuindo para o cenário preocupante.

Entenda os Principais Riscos e Como Preveni-los

Diante desses resultados alarmantes, as pesquisadoras Daniele Maffei e Jéssica Finger, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e coautoras do estudo, detalham medidas práticas e eficazes. Elas oferecem orientações cruciais para identificar e prevenir os riscos mais comuns de contaminação alimentar no dia a dia, transformando hábitos simples em barreiras contra doenças.

Manipulação Segura de Alimentos no Dia a Dia

A manipulação adequada dos alimentos é o primeiro passo para garantir a segurança alimentar dentro do lar. Primeiramente, é fundamental higienizar corretamente os produtos hortifrúti, como alfaces, cenouras e tomates. Dessa forma, é recomendado lavá-los separadamente e submetê-los a um repouso em solução sanitizante, como produtos clorados, por aproximadamente 15 minutos, seguido de um enxágue abundante.

No que diz respeito aos ovos, a precaução é essencial: devem ser armazenados em recipientes limpos e sempre no interior da geladeira, e não na porta. Para o consumo, o cozimento deve durar no mínimo 12 minutos ou a fritura precisa ser muito bem-feita, garantindo a eliminação de possíveis bactérias como a salmonela. Contudo, em relação às carnes, a prática de lavá-las na pia não é apenas desnecessária, mas contraindicada, pois o cozimento já se encarrega de eliminar os microrganismos presentes, enquanto a lavagem apenas espalha os agentes contaminantes.

Adicionalmente, para evitar a crucial contaminação cruzada, nunca utilize os mesmos utensílios em diferentes alimentos, especialmente entre crus e cozidos. Portanto, talheres, tábuas de corte e recipientes que entraram em contato com carnes cruas, por exemplo, devem ser lavados cuidadosamente antes de serem usados com alimentos já cozidos ou que serão consumidos crus.

Armazenamento Correto na Geladeira

A organização da geladeira desempenha um papel vital na conservação dos alimentos e na prevenção de contaminações. Por conseguinte, a porta do refrigerador, que sofre maior variação térmica, é ideal para alimentos em conserva, sucos e refrigerantes, que toleram melhor essas flutuações. No freezer, evidentemente, devem ser armazenados congelados e outros itens que exigem temperaturas extremamente baixas, como sorvetes e picolés.

Alimentos altamente perecíveis, por sua vez, precisam ser alocados na parte superior da geladeira, onde as temperaturas são mais baixas e constantes, propícias à sua conservação. As sobras de refeições, já prontas para o consumo, devem ser guardadas em recipientes herméticos e dispostas nas prateleiras do meio, minimizando o risco de contaminação por gotejamento de alimentos crus.

Finalmente, nas prateleiras inferiores, reserve o espaço para alimentos que ainda não foram higienizados ou que estão em processo de descongelamento, como carnes e frutas, prevenindo a contaminação de outros itens. A gaveta inferior, por fim, é o local adequado para armazenar hortaliças, que não necessitam de temperaturas tão baixas e se beneficiam de um ambiente com maior umidade.

A conscientização sobre essas práticas simples de manipulação e armazenamento, conforme destacado pelas especialistas Daniele Maffei e Jéssica Finger, é fundamental. Ao adotar essas medidas, as famílias brasileiras podem reduzir significativamente os riscos de intoxicação alimentar, promovendo um ambiente doméstico mais seguro e garantindo a saúde de todos os seus integrantes. Assim sendo, a segurança alimentar começa em casa, com cada detalhe fazendo a diferença.

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