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sáb, 06 jun 2026
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Lula Pede Coerência Progressista na Espanha em Discurso Forte Contra Neoliberalismo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no sábado (18), em Barcelona, Espanha, da primeira edição da Mobilização Progressista Global (MPG), onde fez um apelo à coerência do campo progressista. Diante de mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, Lula instou ativistas e organizações de esquerda a defenderem a democracia e a justiça social, criticando abertamente o avanço das forças autoritárias de extrema-direita.

Durante seu discurso, o líder brasileiro enfatizou a necessidade de os progressistas não se envergonharem de suas identidades políticas no cenário atual. Ele afirmou que “Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade”, sublinhando a importância da liberdade de expressão dentro dos limites democráticos.

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Crítica ao Neoliberalismo e à Postura da Esquerda

Lula reconheceu os avanços conquistados pelos progressistas para grupos como trabalhadores, mulheres, a população negra e a comunidade LGBTQIA+. Contudo, o presidente ponderou que a esquerda falhou em superar o pensamento econômico dominante, abrindo assim caminho para que forças reacionárias ganhassem espaço significativo na sociedade contemporânea.

Ele criticou o projeto neoliberal, que prometeu prosperidade mas, segundo ele, entregou fome, desigualdade e insegurança, provocando crises consecutivas. “Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo”, declarou Lula, apontando que governos de esquerda frequentemente adotam austeridade após vencerem eleições com discursos progressistas, abandonando políticas públicas em nome da governabilidade.

O Apelo por Coerência Programática

Para o presidente brasileiro, a coerência deve ser o primeiro mandamento dos progressistas. Ele enfatizou que é inaceitável “se eleger com um programa e implementar outro”, pois isso trai a confiança popular. Desse modo, a população anseia por uma vida digna, com acesso a alimentação, moradia, educação e saúde de qualidade, além de uma política climática responsável e trabalho justo, propostas que o campo progressista tradicionalmente defende.

Lula também analisou como a extrema-direita soube capitalizar a frustração das promessas não cumpridas pelo neoliberalismo. Ademais, essa corrente política, segundo o presidente, “inventou mentiras e mais mentiras, falando das mulheres, dos negros, da população LGBTQIA+, dos imigrantes”, transformando grupos sociais vulneráveis em alvos de discursos de ódio, o que gerou um cenário de polarização social.

Desigualdade e o Papel dos Bilionários

À plateia de ativistas, Lula direcionou a culpa pela crise socioeconômica atual para os poucos bilionários que concentram a maior parte da riqueza global. Ele argumentou que esses indivíduos alimentam a “falácia da meritocracia” enquanto “chutam a escada” para impedir que outros ascendant. Eles pagam menos impostos, exploram trabalhadores e manipulam algoritmos, contribuindo para a desigualdade.

O presidente afirmou categoricamente que “a desigualdade não é um fato, é uma escolha política”. Sendo assim, o lema dos progressistas deve ser sempre “estar ao lado do povo”, escolhendo a igualdade como princípio fundamental em todas as ações políticas e sociais.

Lula Critica os 'Senhores da Guerra'

Na esfera internacional, Lula reiterou sua crítica aos líderes de países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, classificando-os como “senhores da guerra”. Ele condenou os bilhões de dólares gastos em armamentos, recursos que poderiam ser utilizados para erradicar a fome, resolver problemas energéticos e garantir acesso universal à saúde em todo o planeta.

Para o presidente, o Sul Global paga a conta de guerras e mudanças climáticas que não provocou, sendo tratado como “quintal das grandes potências” e sufocado por tarifas e dívidas impagáveis. Ser progressista na arena internacional, conforme Lula, implica defender um multilateralismo reformado, priorizar a paz, combater a fome, proteger o meio ambiente e restituir a credibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU).

Participação no Fórum Democracia Sempre

Ainda em Barcelona, o presidente brasileiro participou da quarta edição do Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa lançada em 2024 que reúne governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, contou com a presença de outros líderes internacionais, como Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e o ex-presidente do Chile Gabriel Boric, reforçando a agenda multilateral de Lula durante sua viagem.

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