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ter, 21 jul 2026
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Petrobras retoma produção de ureia no Paraná e mira redução de importação

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A Petrobras, gigante estatal brasileira, reiniciou recentemente a produção de ureia na fábrica da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, Paraná. A retomada, efetivada na última quinta-feira, dia 30 de maio, marca o fim de um período de seis anos de inatividade da unidade e visa fortalecer a autonomia do Brasil no fornecimento de fertilizantes, diminuindo a dependência de insumos importados.

Esta medida estratégica surge em um contexto de alta demanda e volatilidade no mercado global de fertilizantes, intensificada por conflitos como a guerra na Ucrânia, que começou em 2022 e gerou restrições na oferta e aumento significativo dos preços. Dessa forma, a iniciativa da Petrobras busca garantir maior segurança alimentar e apoiar o agronegócio nacional, um dos pilares da economia brasileira.

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O Retorno Estratégico da Ansa

A ureia é reconhecida como um dos fertilizantes mais empregados globalmente, essencial para o crescimento das plantas e para a otimização da produção agrícola. O Brasil, um dos maiores consumidores mundiais, importa aproximadamente 80% do volume que utiliza, situação que evidencia a vulnerabilidade do setor produtivo às dinâmicas internacionais.

A reativação da Ansa, portanto, representa um passo crucial para reduzir essa dependência. Marcelo dos Santos Faria, diretor industrial e presidente interino da Ansa, enfatiza que a produção de fertilizantes constitui uma “operação estratégica”, ressaltando a relevância de expandir a capacidade interna de suprimentos essenciais para a agricultura brasileira neste momento.

O Período de Hibernação e a Reativação

Subsidiária da Petrobras, a Ansa esteve inoperante, ou “hibernada”, desde 2020. Naquela ocasião, a paralisação das atividades foi justificada pela alegada operação deficitária da unidade. Contudo, a decisão de reativar a fábrica de Araucária foi anunciada em 2024, após uma avaliação aprofundada da importância estratégica do setor.

Logo na sua primeira entrevista após assumir a presidência da Petrobras, em maio de 2024, Magda Chambriard manifestou o interesse da estatal em investir vigorosamente na produção doméstica de insumos agrícolas. Para viabilizar o retorno da produção em Araucária, a Petrobras investiu R$ 870 milhões, dedicando-se a um minucioso ciclo de preparação que incluiu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais e a recomposição de suas equipes.

Diversificação de Produtos e Capacidade Produtiva

Além da ureia, que é o terceiro produto a ser obtido com a reativação, a fábrica da Ansa já produzia amônia, outro tipo de fertilizante, e Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), utilizado para controlar as emissões de veículos a diesel. A unidade, localizada ao lado da Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), também da Petrobras, utiliza gás natural como uma das matérias-primas essenciais para a fabricação de ureia.

A Araucária Nitrogenados possui uma capacidade robusta de produção, com 720 mil toneladas anuais de ureia, o que corresponde a cerca de 8% do mercado nacional. Adicionalmente, produz 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil metros cúbicos anuais de Arla 32, consolidando sua relevância no cenário industrial e agrícola do país.

Expansão Nacional e Autonomia em Fertilizantes

A retomada da Ansa integra uma ação mais ampla da Petrobras para fortalecer sua presença no mercado de fertilizantes no país. Em maio do ano passado, a estatal formalizou um acordo para reassumir a posse e a produção de duas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) estratégicas: uma em Camaçari, Bahia, e outra em Laranjeiras, Sergipe, ambas paralisadas desde 2023.

Estas duas unidades haviam sido arrendadas à empresa privada Proquigel em 2019, mas foram hibernadas em 2023 devido a dificuldades financeiras. A expectativa é que a unidade baiana retome a produção em janeiro de 2026 e a sergipana em dezembro de 2025. Com a produção combinada dessas fábricas no Sergipe, Bahia e Paraná, a participação da Petrobras no mercado interno de ureia deve alcançar aproximadamente 20%, conforme estimativas da própria companhia.

Projeções Futuras com a UFN-III

A Petrobras prossegue também com a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, cuja operação comercial está prevista para iniciar em 2029. Dessa forma, a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia projetará um salto ainda maior, atingindo 35% do total.

William França, diretor de Processos Industriais da companhia, reforça a importância estratégica do setor de fertilizantes para a Petrobras e para o Brasil. Ele afirma que, com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, a empresa contribui significativamente para a redução da dependência externa de ureia, ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional.

Impacto Social e Geração de Empregos

A fase de mobilização para a retomada da produção na Ansa gerou um impacto social positivo, criando mais de 2 mil empregos diretos e indiretos. A estatal projeta que cerca de 700 pessoas trabalharão na operação regular da fábrica, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região e do país.

A retomada da produção de ureia foi amplamente celebrada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa 14 sindicatos de trabalhadores da indústria de óleo e gás. Em nota, a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, expressou emoção ao comemorar o início da produção, destacando que o feito simboliza a concretização de uma luta que, apesar dos obstáculos iniciais, valeu a pena para a classe trabalhadora.

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