Com o fim do ano de 2020, todos nós ficamos ansiosos para o início da vacinação aqui no Brasil. Acompanhando os noticiários, vemos alguns países já bem adiantados na questão de aplicação da vacina e isso aumenta ainda mais nossa ansiedade.
Essa semana, o Brasil iniciou a vacinação, as 6 milhões de doses foram distribuídas aos estados e partiram de Guarulhos, onde fica o galpão de armazenamento. Nesta quarta-feira (20) as primeiras doses do imunizante chegaram a Guarulhos.
Mas, neste meio tempo, vemos grupos de pessoas que são contra a vacinação, tendo como justificativa o tempo curto de desenvolvimento dos imunizantes contra o Coronavírus. Neste artigo, trago algumas considerações sobre as vacinas que serão aplicadas no Brasil.
Temos no mercado mundial 9 tipo vacinas desenvolvidas, o Brasil firmou acordo com a Coronavac/Sinovac inicialmente produzida na China e agora com carga máxima de produção pelo Instituto Butantan. O outro acordo com a Fiocruz é da vacina AstraZeneca/Oxford do Reino Unido.
Sobre elas, temos que levar em consideração a porcentagem de eficácia, para que uma vacina seja considerada boa para aplicação, segundo estudiosos, deve ter de 60% a 70% de segurança. A Coronavac tem 78% enquanto a AstraZeneca tem 70% de eficácia.
Para aprovação da Anvisa é necessário 50% de eficácia. O estudo divulgado pelo Instituto Butantan afirma que todos aqueles tomarem a vacina tem 50,4% de não desenvolver Covid-19. Ou seja, ao ter contato com o vírus e estando vacinado existe 78% de chance de não precisar de nenhum atendimento médico.
Os números demostram que é de 100% a chance de não precisar de hospitalização ou internação na UTI, uma resposta animadora e interessante para a aprovação emergencial. A diferença básica das duas vacinas está no processo de produção.
A Coronavac faz uso do vírus Sars-Cov-2 inativado, já a vacina de Oxford usa um vírus da gripe e parte do Sars-Cov-2 resfriado e camuflado. Assim, as células de defesas do organismo humano são capazes de combater o vírus ativado ao ter contato com a doença.
Outra desvantagem da Coronavac foi a forma de condução dos testes, a grande maioria das pessoas que testaram essa vacina são profissionais da saúde, o que não traz a quantidade de pessoas de outras populações, principalmente os idosos para o estudo.
Isso não significa que esse imunizante seja inseguro, mas ambas vacinas, devido à urgência, tiveram seus tempos de testes reduzidos. Ainda estão sendo realizados para completar os estudos, mas os resultados até agora são satisfatório para ambas.
O desafio do Brasil neste momento, é dar sequência a vacinação que corre o risco de ser interrompida por falta de insumos vindos da China, para a produção das doses no Brasil. O chamado ingrediente farmacêutico ativo (IFA) oriundo do país asiático é o responsável pela fração de doses em solo brasileiro.

*Marcela Oliveira é enfermeira especialista em Gestão de Pessoas, possui experiência em processos de enfermagem na coleta de exames laboratoriais na empresa DASA. Além de já ter atuado como enfermeira assistencial no Hospital Albert Einstein. Atualmente é coordenadora de enfermagem nas empresas Dr. Consulta e Unimed Guarulhos.


