No começo da vida de um indivíduo é fundamental os cuidados físicos e emocionais, afinal, o mesmo está vivenciando a exterogestação, nome que se dá aos três primeiros meses de vida bebê. Durante esse período o bebê apresenta condições de extrema vulnerabilidade, portanto, exige maior atenção e entrega dos pais e/ou cuidadores.
Porém, dividindo esse momento de vulnerabilidade emocional e física, se encontra a mãe desse bebê. No período do puerpério, essa mulher recém mãe, passa por mudanças de impacto biopsicossociais, além das já vivenciadas durante a gestação, sendo então, considerado um dos períodos de maior risco para sua saúde mental, um período que pode chegar a durar (na visão da psicologia obstétrica), em torno de dois a três anos após o parto.
O primeiro ano após o parto é considerado o ano de maior autonegligência materna vivenciada por recém mães, em especial, mães de primeira viagem. Depois da alta, já em casa, os holofotes estão totalmente voltados ao novo integrante da família, seja pelo seu tamanho, delicadeza, fofura ou até mesmo as necessidades aparentes. E, com uma ajudinha da sociedade, essa mulher se cobra em ser tão boa mãe – mas afinal, o que é ser “boa mãe?”- talvez atender as expectativas de outros, ou a sua própria idealização materna, e nesse jogo inconsciente de validação, ela se perde. .
Se perder de si para se encontrar nos olhos do outro, um perigo para quem se encontra vulnerável emocionalmente, mais com a missão de se mostrar firme, forte e feliz, ocupando aquele papel romantizado de uma mãe recém nascida. Nesse labirinto mental, ela permanece se negligenciando, não descansa, pois entende e aprendeu que não pode, não se alimenta tão bem assim, e quando se alimenta sendo ela lactante, está com a motivação no pensamento de que é para melhorar seu leite, sustento do bebê, retorno ao obstetra após o parto para refazer seus exames ginecológicos? Que nada, apenas anota na agenda as próximas vacinas ou consultas com o pediatra do seu filho(a).
Mas, como cuidar do outro se não exerço sobre mim mesma um olhar de atenção e acolhimento? Como dar o meu melhor a quem eu desejo, se não me ofereci o meu melhor para saber como ele é?
Compreender as suas necessidades, é uma responsabilidade sua. Procure Sentir você, exerça com você o mesmo cuidado que propõe ou idealiza entregar ao outro. Fechar os olhos para si, e tentar se encontrar somente no olhar de satisfação do outro, apenas fará com que se distancie de quem é, e de quem precisar ser para si mesma no seu agora.
Contar com uma rede de apoio presente, fará a diferença. Lembrando que a rede de apoio não se dá somente a familiares, mas também, a profissionais, amigos, vizinhos etc.
Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.



