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qui, 04 jun 2026
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Como proteger meu filho nas férias com a nova variante Ômicron em circulação?

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O retorno à vida normal se aproxima. Muitos estão vivendo esse mês de dezembro com uma sensação diferente. Viagens para visitar quem não pudemos ver nesses dois anos em isolamento, perda de um ente querido, descanso merecido de tempos difíceis, pausa para recarregar as energias.

Como pais e educadores, vemos esse momento com um peso diferente. Os relatos por mais que estejam aliviados, apresentam um “quê” de preocupação sobre as escolhas que tomamos no ápice do Covid.  “O que representei para meu filho nesses tempos?”; “Por que fiquei tão estressado em casa?” “Que culpas carregarei por não ter sido paciente naquele dia importante?”; “Traumatizei meus filhos?”.

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Qualquer que tenha sido a sua decisão, sei que não foi uma escolha fácil. Sustentar suas decisões, mesmo que pequenas, também devem ter sido um peso. Os inúmeros questionamentos de se colocar como “bom” ou “mal” foram com toda a certeza determinantes para que você pensasse amargamente sobre a forma que você sustentou a criação de seus filhos nesses dois longos anos.

As crianças estão vivendo em um mundo diferente. Talvez para elas, os impactos dessa nova forma de vivência não tenha sido tão catastrófica ou traumática como foi para nós.

O mundo da criança é lúdico, exala coragem de aprender, é um acumulador de experiências. Mas também, atrevo-me a dizer que nesse momento, é um mundo de muita responsabilidade. Responsabilidade de garantir a sua proteção e a proteção do outro. De pertencer ao mundo e de ser parte de um todo. 

Sensações coletivas necessárias a que tivemos pouco acesso. Viemos de uma era do “eu”, do “posso”, do imperativo. Nossos filhos estão vivendo a era do “nós”, da responsabilidade social, do subjuntivo, da preservação física e mental.

Vocês, pais e educadores, vieram de um contexto social diferente, em que não tínhamos preocupações com coronavirus, isolamento social e álcool em gel nas mãos. É possível aprendermos muito com nossos filhos nesse momento. Para eles, esse é o normal, essa é a realidade, uma experiência muito valiosa vista por essa perspectiva.

A pandemia no contexto da criação de filhos, foi aquele “não” que muitos não tiveram em casa. Confundiu-se o “incrível”, com “invencível”, e infelizmente, adultos mimados e sem limites nada aprenderam com esses tempos.

Elas, as crianças, estão se reinventando e fazendo parte desse mundo. A pausa necessária. A vírgula engolida na pressa. A expiração antes da respiração ansiosa.

Nós com nosso pessimismo de não sermos perfeitos o suficiente é que começamos a calcular na fantasia do bom x mal. “Fui um bom educador?”, “Fui mal porque gritei com meu filho?”, “Sou uma péssima mãe ou pai por fazer isso ou aquilo?*

Eu não sei se você foi bom ou mal, calmo ou estressado, mas um bom parâmetro a que você pode recorrer é observar como seus filhos estão preservados psicologicamente. Há traumas? Falta sol? Falta calor humano? Reflita nessa análise.

Não se condene pelo o que você fez, ou a escolha que tomou nesse mundo pandêmico que mexeu com nossa saúde mental. Aprenda com seu filho como você pode viver nesse mundo novo que está sendo construído por pausas e cautelas. 

Preservem-se, e principalmente, cuidem-se.

*sem qualquer apologia à maus tratos na infância

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