A conta de luz ficará mais cara em agosto de 2025 com o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 2, anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dessa forma, o aumento representa acréscimo de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos, tornando agosto o mês com a maior tarifa de energia elétrica do ano até agora.
Para uma residência com consumo médio de 180 kWh mensais, o valor adicional será de aproximadamente R$ 14,18 na conta. Assim, o reajuste ocorre devido ao cenário de chuvas abaixo da média em todo o país, que reduziu a geração hidrelétrica e forçou o acionamento de usinas termelétricas mais caras.
A medida afeta todos os consumidores cativos das distribuidoras de energia elétrica, exceto aqueles localizados em sistemas isolados. Portanto, a Aneel justifica o acionamento da bandeira mais cara como reflexo direto das condições desfavoráveis para geração de energia no território nacional.
Maior tarifa do ano preocupa consumidores
O acionamento da bandeira vermelha patamar 2 representa o valor mais alto cobrado em 2025. Até maio, o país manteve a bandeira verde, que não gera custos adicionais aos consumidores. A princípio, a mudança começou em junho com a bandeira amarela, evoluindo para vermelha patamar 1 em julho.
Segundo a Aneel, a progressão das bandeiras reflete diretamente a transição do período chuvoso para o período seco. As previsões meteorológicas indicam, portanto, que as chuvas e vazões nas regiões dos reservatórios permanecerão abaixo da média nos próximos meses.
Para calcular o impacto na conta residencial, basta multiplicar os kWh consumidos por R$ 0,07877. Uma família que consume 200 kWh mensais pagará R$ 15,75 adicionais, enquanto residências com consumo de 300 kWh terão acréscimo de R$ 23,63.
Escassez de chuvas força uso de termelétricas
A redução das chuvas obriga o Sistema Interligado Nacional (SIN) a acionar fontes de energia mais caras para suprir a demanda nacional. Com menor volume de água nos reservatórios, as hidrelétricas geram menos energia, criando necessidade de complementação através de usinas termelétricas.
As termelétricas utilizam combustíveis como gás natural, óleo diesel e carvão, tornando a geração significativamente mais cara que a energia hidrelétrica. Esse custo adicional é, por consequência, repassado aos consumidores através do sistema de bandeiras tarifárias.
De acordo com a Aneel, “com o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, a agência reforça a importância da conscientização e do uso responsável da energia elétrica”. A economia de energia contribui para a preservação dos recursos naturais e sustentabilidade do setor elétrico.
Sistema reflete custos reais da geração
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado em 2015 pela Aneel para tornar transparentes os custos variáveis da geração de energia elétrica. Antes dessa implementação, as variações nos custos eram repassadas apenas no reajuste tarifário anual, até um ano depois.
Atualmente, as bandeiras sinalizam em tempo real quanto custa para o SIN gerar a energia consumida nas residências, estabelecimentos comerciais e indústrias. Essa transparência permite, portanto, que os consumidores adaptem seus hábitos conforme as condições de geração.
A metodologia divide as condições em quatro categorias: verde (sem custos adicionais), amarela (R$ 1,885 por 100 kWh), vermelha patamar 1 (R$ 4,463 por 100 kWh) e vermelha patamar 2 (R$ 7,877 por 100 kWh).
Histórico das bandeiras em 2025
Durante os primeiros meses de 2025, o Brasil manteve condições favoráveis para geração de energia. Desde dezembro de 2024, a bandeira permanecia verde devido às chuvas regulares e bom volume dos reservatórios hidrelétricos.
A mudança começou em maio com o acionamento da bandeira amarela, sinalizando condições menos favoráveis para geração. Em junho e julho, a situação evoluiu para bandeira vermelha patamar 1, indicando custos mais elevados para o sistema elétrico.
Agosto marca, assim, o pico de custos no ano com a bandeira vermelha patamar 2. A progressão demonstra como as condições climáticas impactam diretamente o valor da energia elétrica no país.
Dicas para reduzir o impacto na conta
Com a tarifa mais cara do ano, consumidores podem adotar medidas para reduzir o impacto financeiro. Entre as estratégias estão o uso consciente de equipamentos que mais consomem energia, como ar-condicionado, chuveiro elétrico e ferro de passar.
Desligar aparelhos da tomada quando não estão em uso também contribui para diminuir o consumo. Lâmpadas LED consomem menos energia que as incandescentes e fluorescentes, representando economia a longo prazo mesmo com investimento inicial.
A Aneel recomenda ainda concentrar o uso de equipamentos de maior consumo nos horários de menor demanda do sistema elétrico. Durante o período de bandeira vermelha, cada kWh economizado representa economia direta de quase 8 centavos na conta mensal.
Perspectivas para os próximos meses
As previsões meteorológicas indicam que o período seco deve se estender pelos próximos meses, mantendo a pressão sobre o sistema de geração de energia. A Aneel divulga mensalmente, conforme calendário pré-estabelecido, a cor da bandeira que vigorará no mês seguinte.
O calendário de 2025 prevê anúncios regulares até dezembro, sempre baseados em estudos técnicos sobre as condições de geração em todo o país. Os consumidores podem acompanhar essas informações através do site oficial da agência reguladora.
Entenda o sistema de bandeiras tarifárias
Como funciona cada bandeira:
| Bandeira | Condição | Acréscimo por kWh | Acréscimo por 100 kWh |
|---|---|---|---|
| Verde | Favorável | R$ 0 | R$ 0 |
| Amarela | Menos favorável | R$ 0,01885 | R$ 1,885 |
| Vermelha P1 | Custosa | R$ 0,04463 | R$ 4,463 |
| Vermelha P2 | Muito custosa | R$ 0,07877 | R$ 7,877 |
Simulação de impacto por consumo residencial:
| Consumo mensal | Custo adicional em agosto |
|---|---|
| 100 kWh | R$ 7,88 |
| 150 kWh | R$ 11,82 |
| 200 kWh | R$ 15,75 |
| 300 kWh | R$ 23,63 |
| 400 kWh | R$ 31,51 |
Dicas para economizar energia:
- Substitua lâmpadas por LED
- Desligue aparelhos da tomada quando não usar
- Use ar-condicionado com moderação
- Concentre uso de equipamentos em horários de menor demanda
- Mantenha geladeira e freezer regulados
*Com informações da Agência Brasil e Aneel


