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dom, 07 jun 2026
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Crise da Hiperglobalização: Economista Eduardo Giannetti Analisa o Fim de uma Era

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O renomado economista e escritor Eduardo Giannetti afirmou que a hiperglobalização se encontra em crise, sinalizando o fim de uma ordem econômica estabelecida. Em uma entrevista exclusiva à TV Brasil, que será transmitida no programa Repórter Brasil nas edições das 19h de segunda-feira (27) e terça-feira (28), Giannetti detalhou como eventos como a desestabilização de rotas comerciais, exemplificada pelo Estreito de Ormuz, e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos, configuram os pilares dessa transformação global. Assim, ele oferece uma análise profunda sobre o cenário internacional atual, marcado por conflitos e incertezas.

O Colapso das Cadeias de Produção

Eduardo Giannetti destaca a vulnerabilidade das cadeias globais de produção, que se tornaram excessivamente concentradas. Consultorias internacionais apontam que, para cerca de 180 produtos críticos, existem apenas dois ou três fornecedores globais, demonstrando uma dependência perigosa. Taiwan, por exemplo, é responsável por impressionantes 90% da produção dos chips mais avançados do mundo.

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Consequentemente, essa fragilidade impulsiona uma busca urgente por diversificação e segurança nas fontes de suprimento. O economista salienta que a lógica fria da hiperglobalização, focada em custos de produção mais baixos, escala e eficiência por meio da concentração em poucos fornecedores, já não se sustenta. Portanto, o paradigma de “custo baixo a qualquer preço” está mudando para um modelo que prioriza a resiliência.

A Ascensão da Financeirização

A crise da hiperglobalização também se entrelaça com fenômenos históricos cruciais, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, na análise de Giannetti. Ele enfatiza, ademais, a crescente financeirização que marcou o período. No início da hiperglobalização, a proporção entre ativos financeiros e o Produto Interno Bruto (PIB) era de aproximadamente um para um.

Atualmente, essa relação se expandiu dramaticamente, alcançando uma estimativa de 9 a 12 dólares de ativo financeiro para cada dólar de PIB. Além disso, o economista aponta que a valorização das ações na bolsa americana, entre 2022 e 2026, pode chegar a cerca de 2 trilhões de dólares. Metade desse valor, por sua vez, concentra-se em apenas dez empresas, predominantemente ligadas à tecnologia da informação e inteligência artificial.

Impacto Social e Político Global

Entretanto, o dado mais significativo do período econômico que se encerra, segundo Giannetti, reside na integração de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos no mercado de trabalho e consumo global. Originários de áreas rurais de países como China, Índia, Vietnã e Indonésia, essas populações, antes excluídas, urbanizaram-se e encontraram empregos rapidamente com a hiperglobalização.

Isso, de fato, representou um impacto devastador para a classe trabalhadora ocidental. O poder de negociação e a capacidade de afirmação de direitos e interesses foram seriamente comprometidos, já que, em situações de crise local, era possível simplesmente transferir a produção para regiões mais baratas, como da cidade de Detroit para Xangai. A China, por exemplo, hoje responde por um terço da produção industrial mundial.

Ressentimento no Ocidente e a Ascensão da Extrema Direita

A melhoria da vida de centenas de milhões de pessoas que saíram da miséria no Oriente, impulsionada pela hiperglobalização, gerou simultaneamente uma instabilidade social e política tremenda. A ascensão da extrema direita, na avaliação do economista, é em grande medida um reflexo do ressentimento das classes trabalhadora e média ocidentais, diante da perda de segurança e poder de barganha.

É notável que esse fenômeno não se restringe a um único país; a ascensão de uma direita “raivosa, populista e nacionalista” ocorre em várias nações ao mesmo tempo, assemelhando-se aos movimentos observados nos anos 30 do Século 20. Desse modo, o panorama político global reflete as profundas mudanças econômicas e sociais vivenciadas.

Oportunidades para o Brasil na Nova Ordem

Diante do fim da hiperglobalização, o Brasil emerge com uma oportunidade histórica para redefinir seu papel e posicionamento econômico global. O mundo, agora buscando segurança e diversificação em suas cadeias de suprimentos, dependerá cada vez mais de recursos naturais, amenidades ambientais, energia, matérias-primas e minerais. O Brasil, portanto, possui uma dotação abundante desses ativos.

A biodiversidade brasileira se configura como um dos grandes trunfos, oferecendo um potencial vasto para atender à demanda crescente por alimentos, minerais críticos e terras raras. Contudo, é fundamental que o país aproveite essas vantagens comparativas de forma estratégica, industrializando-as. Evitar ser meramente um exportador de bens primários “in natura” é crucial para um desenvolvimento sustentável e menos limitado. O cenário de potências disputando acesso a esses recursos, aliás, favorece a negociação de termos comerciais mais vantajosos para o Brasil.

A Crise Civilizatória e as Mudanças Climáticas

Para além da crise da hiperglobalização, Giannetti alerta que a humanidade enfrenta uma crise civilizatória, com as mudanças climáticas representando a maior ameaça do século 21. Apesar da gravidade, a questão é acompanhada por um crescente negacionismo, tornando a solução ainda mais complexa.

É confortável para muitos ignorar o problema, contudo, o economista adverte que a realidade das mudanças climáticas é incontornável. Os governos podem optar por desconsiderar a questão, mas ela não os ignorará, manifestando-se com uma frequência alarmante de eventos climáticos extremos. A solução, segundo Giannetti, exige uma abordagem dupla: tanto preventiva, para mitigar os impactos, quanto adaptativa, para enfrentar as inevitáveis consequências.

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