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qui, 16 jul 2026
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Mauro Vieira: EUA pediram ‘capitulação’ do Brasil em tarifas

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou as exigências dos Estados Unidos em meio ao recente anúncio de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Vieira afirmou que Washington buscou uma “capitulação” do Brasil, pleiteando a abertura completa do mercado nacional sem oferecer contrapartidas. A declaração ocorreu em Brasília, reforçando a posição brasileira de defesa da soberania e dos interesses econômicos.

De acordo com o chanceler, a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre parte dos produtos brasileiros reflete o desconforto americano com a postura do Brasil. Os Estados Unidos, portanto, apresentaram demandas consideradas “desmedidas e irrazoáveis” ao longo das negociações. Assim, o ministro exemplificou que Washington exigia uma abertura total, irrestrita e exclusiva de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer reciprocidade para os produtos nacionais.

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Acusações e defesa da soberania

Vieira também rebateu as afirmações de Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado dos EUA, que atribuiu a falta de acordo ao “ego” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, o chanceler brasileiro defendeu que o que Rubio classifica como ego “nada mais é do que a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”.

Além disso, o ministro acusou Rubio de usar falsas alegações sobre o empenho do Brasil em negociar. Dessa forma, Vieira pontuou que o secretário americano “ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo”, que se dedicou pessoalmente para abrir canais de diálogo em diversas oportunidades. Ele lembrou que foram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e telefônicas ao longo dos últimos meses de discussão, incluindo 11 contatos diretos com representantes americanos.

Contexto político e balança comercial

O governo brasileiro sustenta que a ameaça de tarifaço, utilizada pela administração americana, possui uma motivação política. Segundo analistas consultados pela imprensa, a medida buscaria enquadrar o Brasil por uma suposta falta de alinhamento político com Washington, especialmente visando o cenário eleitoral nos Estados Unidos. Nesse sentido, Mauro Vieira reiterou a ausência de justificativas comerciais válidas para a aplicação das tarifas contra o país.

Ademais, o chanceler recordou um tarifaço anterior, de 50%, imposto em julho de 2023, que teria tido “expressa motivação política em tentativa de interferência do poder judiciário brasileiro”. Esta ação, por sua vez, teria ocorrido em função do julgamento por tentativa de golpe de Estado, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Consequentemente, naquele contexto, a Casa Branca teria solicitado a abertura de uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei do Comércio dos EUA.

Superávit americano e mercado brasileiro

Vieira destacou que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2023, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, abrangendo oito dos dez principais produtos americanos importados pelo país. Portanto, para o ministro, estes números desmistificam as acusações de práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

Justificativas rejeitadas pelo Brasil

As acusações americanas sobre o Pix, um dos alvos da investigação dos EUA, foram classificadas como “descabidas” pelo chefe do Itamaraty. Ele explicou que o Pix representa uma infraestrutura pública de pagamentos, criada e gerenciada pelo Banco Central, disponível a todas as instituições atuantes no Brasil. Assim, não seria plausível argumentar sobre competição desleal gerada pelo sistema.

Por fim, as alegações contra o desmatamento ilegal no Brasil também não se sustentam, conforme Mauro Vieira. O ministro afirmou que, desde 2022, o país reduziu significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Em suma, todas as razões apresentadas pelos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas carecem de fundamentação na realidade, segundo a diplomacia brasileira.

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