Arrecadação do município deve cair cerca de R$ 10 milhões por ano
O ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, assinou nesta quinta-feira (10), durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às obras do novo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa Tech), no Rio de Janeiro, a portaria que vai garantir a migração dos voos do Santos Dumont, na área central da cidade, para o Aeroporto Internacional do Galeão [Tom Jobim], na Ilha do Governador.
A medida, que entra em vigor a partir do dia 2 de janeiro de 2024, irá impactar diretamente a cidade de Guarulhos, uma vez que proíbe voos diretos do Rio para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica. A estimativa é que a proibição gere um prejuízo ao GRU Airport de até 5 milhões de passageiros, com diminuição de até R$ 500 milhões em receita ao ano.
Com isso, a arrecadação de impostos em Guarulhos também será afetada, cerca de R$ 10 milhões por ano deixarão de entrar nos cofres do município. A medida desagradou a concessionária que administra o Aeroporto de Guarulhos, que com a menor circulação de passageiros, deve deixar de investir mais de R$ 500 milhões, deixando de criar entre 4 a 5 mil empregos diretos na cidade.
O prefeito Guti (PSD) comentou sobre a portaria por meio de vídeo em suas redes sociais.
“Na minha maneira de ver, o Presidente da República foi levado ao erro, cedeu à pressões, e de forma atabalhoada assinou uma portaria que não faz sentido para nós aqui. Eles querem salvar o Galeão, e salvar uma vaca que está doente matando uma que tá sadia, não funciona, e nesse caso a gente tá falando de milhares de empregos”, disse.
“São trinta e dois voos diários que vão deixar de sair de Guarulhos, porque muitos vão migrar para Congonhas, que vai ter como destino o Santos Dumont. Guarulhos fica com o Galeão e muita gente quer evitar de voar pro Galeão, por consequência as pessoas vão deixar de voar por Guarulhos”, completou.
Guti ainda alertou sobre o impacto direto nos postos de trabalho e na arrecadação do município:
“A cada um milhão de passageiros perdidos, a gente perde mil empregos, e nesse caso, só nesses voos que a gente está na iminência de perder, perdemos exatos um milhão de passageiros, ou seja, mil empregos a menos. Sem contar todas as conexões e as estimativas da Gru Airport, a gente tá falando aí em torno de três a cinco milhões de passageiros, ou seja, gente pode perder a partir do ano que vem, a partir do momento que isso passe a vigorar, de três a cinco mil trabalhadores. É muita coisa gente, vai impactar direto! Sem contar a carga, a gente vai perder muita arrecadação”.


