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qua, 22 jul 2026
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Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo) Encerra Inscrições Nesta Sexta

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As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo) encerram-se na próxima sexta-feira, 8 de março, oferecendo uma importante oportunidade para estudantes de todo o país. O projeto visa reconhecer e promover a inserção do letramento étnico-racial em escolas públicas e particulares, abrangendo alunos do 2º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, incluindo também os da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Engajamento Crescente e Modalidades de Inscrição

As edições anteriores da Obapo registraram um crescimento exponencial de participação, mobilizando mais de 33 mil alunos em 2023. Para 2026, a expectativa é triplicar esse número, ultrapassando a marca de 100 mil participantes, o que reflete a crescente relevância da iniciativa no cenário educacional brasileiro. Este aumento demonstra um interesse genuíno por parte das instituições de ensino e dos próprios estudantes em temas relacionados à diversidade.

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Tanto escolas quanto estudantes em participação individual podem se inscrever diretamente pelo site da Obapo. Para a modalidade “Escola”, o número de alunos inscritos é ilimitado, favorecendo a ampla adesão. Já a inscrição individual requer que o estudante seja acompanhado por um responsável maior de 21 anos, garantindo o devido suporte ao longo do processo.

A dois dias do encerramento do prazo, os valores de inscrição, que subsidiam os custos administrativos e pedagógicos da olimpíada, são de R$ 440 para escolas da rede pública e R$ 880 para instituições privadas. Contudo, a taxa cobrada de estudantes que optam pela participação individual é de R$ 65, buscando tornar o acesso mais equitativo para todos os interessados no projeto.

Conteúdo Programático e Adequação à BNCC

O conteúdo da Obapo é cuidadosamente estruturado para atender às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), abordando diferentes níveis de complexidade. Para os participantes mais jovens ou das séries iniciais, a olimpíada explora conhecimentos sobre brincadeiras e expressões artísticas indígenas, afro-brasileiras e africanas, além dos modos de vida dos povos originários, fomentando o contato com a riqueza cultural do Brasil.

Por outro lado, dos alunos mais velhos ou de séries avançadas, espera-se uma assimilação aprofundada de tópicos como o perfil étnico-racial da população brasileira, a transmissão de saberes pela oralidade, segregação étnico-racial, racismo ambiental, preconceito linguístico, darwinismo social, a repressão contra grupos minorizados e conceitos fundamentais de colonialidade, descolonização e decolonialidade. Assim, a Obapo incentiva o pensamento crítico e a conscientização social.

Realização das Provas e Cobertura Nacional

As provas da Obapo seguirão um cronograma unificado para todas as escolas, sendo aplicadas exclusivamente pela internet entre os dias 13 e 29 de maio. Cada aplicação ocorrerá sob a supervisão de um funcionário da escola, garantindo a lisura do processo avaliativo. Todavia, a organização da Obapo permite a aplicação presencial, com versão impressa, apenas em casos especiais devidamente consultados e justificados pela instituição de ensino.

A adesão à olimpíada tem sido abrangente em todo o território nacional. A região Nordeste se destaca com a maior presença de escolas e estudantes, seguida pelo Sudeste, que também demonstra um forte engajamento. De fato, todas as unidades federativas do Brasil já se engajaram no projeto, com exceção do Acre, que ainda não registrou participações.

Visão da Coordenação e o Impacto na Identidade

Érica Rodrigues, mestre em geografia pela Unicamp e coordenadora pedagógica da Obapo, ressalta que 70% das inscrições provêm de escolas públicas, com uma proporção equilibrada entre redes municipais e estaduais, além da significativa participação de institutos federais. Ela enfatiza o sucesso da olimpíada em firmar parcerias com secretarias municipais de educação, como a de Oeiras, no Piauí, onde todas as escolas da cidade participaram nas edições anteriores.

Rodrigues comemora especialmente a animação de crianças e adolescentes indígenas e quilombolas, cuja participação na Obapo se traduz em orgulho de suas origens e um forte senso de pertencimento. Conforme destaca, “É, para a gente, uma honra muito grande estar nesses territórios, abordar esses temas e perceber que esses alunos reconhecem dentro da Obapo sua própria identidade, enquanto parte da identidade e do presente do Brasil”, reforçando a importância da representatividade plural.

O Movimento por uma Educação Antirracista

O desenvolvimento de recursos para educadores que buscam trabalhar conhecimentos contra-hegemônicos e questionar a branquitude em sala de aula é uma prioridade. Um exemplo notável é a publicação lançada em novembro de 2024, resultado do apoio conjunto da Porticus pela Cidade Escola Aprendiz com a Roda Educativa, Ação Educativa e 25 organizações e movimentos sociais. Este material visa promover uma educação integral e alinhada à atitude antirracista no ensino fundamental.

Além de despertar o interesse em temas cruciais, a Obapo e iniciativas correlatas se configuram como ferramentas poderosas para aprofundar o debate e enfrentar coletivamente as desigualdades persistentes na educação. Como salientou o Instituto Alana, citando Eduardo Galeano, “até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador”. Assim, projetos como a Obapo são fundamentais para reescrever narrativas e dar voz a todas as identidades.

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