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qua, 15 jul 2026
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Racismo no futebol: Bellingham desafia silêncio e impulsiona debate global

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O debate sobre o racismo no futebol ganha destaque internacionalmente, com atletas de alto nível se posicionando contra a discriminação. O meio-campista inglês Jude Bellingham, ícone em ascensão, tem sido uma voz ativa na denúncia de hostilidades, enquanto o tema ressoa em grandes competições. A relevância para Guarulhos e o Brasil se intensifica pela experiência de jogadores brasileiros como Vini Jr., constantemente alvo de ataques racistas.

Aos 23 anos, Jude Bellingham, conhecido por sua atuação no cenário europeu, enfrentou críticas severas ao início de sua carreira internacional. Ele superou uma série de ataques em seu país de origem, tornando-se não apenas uma estrela em campo, mas também um símbolo de resistência. Bellingham confessou ao jornal The Guardian que recebe mensagens racistas na maioria dos jogos, variando a frequência e a intensidade conforme seus resultados em campo.

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Contudo, sua visibilidade não o fez recuar. Ele tem se sobressaído pela voz firme contra o racismo direcionado a si e a colegas, demonstrando apoio a vítimas como o atacante brasileiro Vini Jr., com quem compartilha o gramado em campeonatos europeus. Enquanto isso, o craque argentino Lionel Messi tem sido questionado pela falta de posicionamento público em relação a atos racistas praticados por torcedores, incluindo incidentes registrados em torneios importantes que envolveram influenciadores e torcedores egípcios.

A persistência da discriminação no esporte

Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, analisa que o apoio das torcidas a jogadores de diferentes origens étnicas, especialmente negros, frequentemente oscila conforme o desempenho nas partidas. Ele reconhece avanços no combate ao racismo no futebol inglês, considerando-o à frente de outros países por ter implementado um plano robusto em 2021. Por outro lado, Carvalho manifesta ceticismo quanto à permanência do apoio a Bellingham caso haja um revés.

“Não torço para a Inglaterra perder, mas, se perder, veremos se esse apoio vai continuar”, afirmou o diretor. Ele recorda casos anteriores, como os de jogadores holandeses que, após derrotas em grandes torneios, foram alvo de ofensas. Além disso, Carvalho destaca que a postura combativa de jogadores como Bellingham, que se posicionam e usam sua voz, muitas vezes provoca uma reação negativa, com parte do público tentando associar a imagem de “arrogância” a homens negros que desafiam a subordinação.

Esforços globais e o Protocolo Vini Jr.

O racismo tem marcado diversas edições de grandes competições de futebol. Jogadores holandeses, alemães e até mesmo ingleses foram alvos de insultos. Grandes nomes como o francês Kylian Mbappé sofreram ataques diretos, enquanto torcidas entoaram cânticos racistas e até mesmo um árbitro somali, Omar Abdulkadir Artan, teve sua entrada barrada nos Estados Unidos, país-sede de uma futura competição, reforçando a complexidade do problema.

Longe dos gramados, os dados evidenciam a dimensão do desafio. A FIFA identificou e removeu 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2022 no Catar, um aumento de 13 vezes em comparação com edições anteriores. Este registro, realizado pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais — uma iniciativa criada para monitorar seis milhões de publicações —, revelou que os comentários racistas representaram 11% do total das mensagens ofensivas.

Organizações como a inglesa Kick it Out, que também monitora incidentes de racismo no esporte, consideram a ação de monitoramento da FIFA essencial. Contudo, a entidade enfatiza que uma maior responsabilização dos infratores é crucial para gerar confiança e incentivar as denúncias. “Temporada após temporada, as pessoas denunciam à Kick it Out um número recorde de casos”, declarou a organização em seu site, ressaltando a necessidade de políticas mais eficazes para lidar com essa problemática generalizada.

As entidades civis defendem “um esforço coordenado em escala global” com a participação ativa da FIFA, que, em resposta a incidentes frequentes contra o jogador Vini Jr., lançou o protocolo que leva seu nome. Para essas organizações, o combate ao racismo exige mais do que apenas as entidades do futebol; demanda um engajamento conjunto de autoridades nacionais e internacionais para uma abordagem eficaz e duradoura.

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