No Orçamento Familiar, a categoria de gastos com transporte é a terceira mais pesada no orçamento das famílias atrás apenas dos gastos com habitação e alimentação, segundo pesquisa do IBGE
Em Guarulhos, o preço médio do diesel está em R$ 5,162 nos postos compilados por um levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Só este ano, o diesel já acumula alta de 65% no preço segundo o órgão, e esse aumento progressivo pode impactar diretamente no aumento das tarifas do transporte público em 2022.
O passageiro paga atualmente R$4,04, na média nacional de tarifa do transporte por ônibus, na cidade a passagem está acima da média e é de R$4,45 (bilhete único), R$4,70 (em dinheiro), R$4,90 (vale transporte). Já os estudantes pagam R$2,23 e grupos específicos de baixa renda e idosos detém as gratuidades.
O Mestre em Economia e Professor da Universidade Cruzeiro do Sul, Sidnei de Caria Junior aponta que os seguidos reajustes da Petrobras sobre os combustíveis encarecem o produto não só para o consumidor final, na bomba, mas também para todos que utilizam o combustível como insumo direto, como é o caso das companhias de transporte e transportadoras, que têm nele um dos principais e maiores custos de operação.
Durante a pandemia, os ônibus lotados e a redução da frota nas ruas foi tema de ampla discussão, sobretudo no período de maior contaminação pela Covid-19. No entanto, a demanda atual de passageiros caiu de 16,6% durante este período, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
A NTU aponta que falta de políticas de apoio ao setor, principalmente por parte do governo federal, e a manutenção das atuais regras dos contratos podem levar a um aumento de pelo menos 50% nos preços das tarifas de ônibus em todo o país, a partir de janeiro do ano que vem, quando começam as revisões tarifárias.
O aumento é de enorme impacto no bolso das pessoas, conforme explica Sidnei de Caria Junior, “Durante a pandemia houve uma queda na renda das famílias principalmente por conta do aumento do desemprego e da redução da atividade econômica – ou seja, empresas que não demitiram ou fecharam acabaram fazendo menos negócios. Portanto, a redução da renda faz com que o orçamento das famílias naturalmente se aperte”.
A renovação coincide com as datas-base dos motoristas e cobradores, que ocorrem anualmente entre janeiro e maio. Os salários desses profissionais correspondem por 48,8% em média, dos custos das empresas, mas estão pressionados pela inflação descontrolada, que já acumula 10,25% nos últimos 12 meses.
O setor prevê forte pressão por reajustes salariais, de acordo com dados do Painel do Emprego da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de janeiro de 2020 a setembro de 2021 foram perdidos 87.497 postos de trabalho em todo o segmento de transporte público urbano de passageiros.
Para evitar o reajuste das tarifas em 50%, os governos estaduais e municipais, dos 2.901 municípios que oferecem o serviço de transporte público organizado, terão que fazer um aporte financeiro de R﹩ 1,67 bilhão ao mês, conforme a NTU.
Ainda de acordo com o professor, com orçamento familiar menor, os preços são maiores, e andar de carro ficou mais caro. O transporte público poderia ser uma saída para locomoções mais baratas, no entanto, com o reajuste, esse espaço para trocar o carro pelo transporte público fica menor, pressionando ainda mais o bolso das pessoas.
“Essa situação se agrava para os casos de famílias de menor renda, que têm menos espaço para malabarismos no orçamento, e os idosos, que em maioria vivem exclusivamente do rendimento da aposentadoria e que, ao perder a gratuidade (pessoas de 60 a 65 anos na EMTU e SPTrans), já veriam o orçamento apertar, o que piora diante do reajuste das passagens” destaca o professor.
A Pesquisa de Orçamento Familiar, feita pelo IBGE, mostra que a categoria de gastos “Transporte” é a terceira mais pesada no orçamento das famílias brasileiras, atrás apenas dos gastos com Habitação e Alimentação.
Os dados vão na contramão da declaração do Governador João Doria (PSDB) na semana passada, ao ser questionado sobre o aumento das tarifas. Apesar de ter confirmado em coletiva que o Estado e Prefeitura estão discutindo o reajuste, o tucano ponderou e disse que o aumento não vai afetar o bolso dos passageiros, pois a maior parte das tarifas são pagas pelas empresas via vale transporte.
Questionadas, a EMTU disse que não há previsão de reajuste de tarifa no serviço de ônibus intermunicipal. A Guarupass afirmou em nota que acompanha e segue atentamente a legislação que rege o transporte por ônibus em Guarulhos e informa que todas as decisões referentes às tarifas são de competência do poder público. Já a Prefeitura de Guarulhos, disse “No momento não temos nada a declarar”.


